DATAFOLHA MOSTRA LULA COM 38% E FLÁVIO BOLSONARO COM 33%, MAS SEGUNDO TURNO TEM EMPATE TÉCNICO

DATAFOLHA MOSTRA LULA COM 38% E FLÁVIO BOLSONARO COM 33%, MAS SEGUNDO TURNO TEM EMPATE TÉCNICO

Vantagem do petista cai para cinco pontos; Augusto Cury cresce para 8%, enquanto rejeição elevada de Lula e Flávio revela uma disputa ainda aberta

A nova pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), na liderança da corrida presidencial no primeiro turno, com 38% das intenções de voto, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL).

Apesar da liderança numérica de Lula, o levantamento traz um sinal importante para a campanha: em um eventual segundo turno entre os dois, o resultado é de 46% para Lula contra 44% para Flávio, configurando empate técnico, porque a margem de erro é de dois pontos percentuais.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores, de 16 anos ou mais, entre 1º e 3 de setembro, em 125 cidades, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03669/2026.

Os números do primeiro turno

Na fotografia apresentada pelo Datafolha, Lula aparece com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%.

O terceiro colocado é Augusto Cury, do Avante, com 8%. O crescimento de Cury é um dos fatos mais relevantes da rodada: ele tinha 2% no levantamento anterior e passou para 8%.

Na sequência aparecem:

Ronaldo Caiado (PSD): 4%

Renan Santos (Missão): 3%

Romeu Zema (Novo): 2%

Samara Martins (UP): 1%

Edmilson Costa (PCB): 1%

Rui Costa Pimenta (PCO): 1%

Brancos e nulos somam 6%, enquanto 3% não souberam ou não quiseram responder.

Lula perdeu um ponto; Flávio ficou parado

Na comparação com a pesquisa anterior, Lula passou de 39% para 38%, enquanto Flávio Bolsonaro permaneceu em 33%.

Assim, a distância caiu de seis para cinco pontos percentuais. Como ambos oscilaram dentro da margem de erro, não é possível afirmar estatisticamente que tenha ocorrido uma mudança significativa no desempenho dos dois primeiros colocados.

Ainda assim, o cenário merece atenção porque a campanha entra em sua fase decisiva com uma distância relativamente estreita entre os principais candidatos.

O segundo turno é o dado mais delicado

É no segundo turno que a pesquisa se torna particularmente interessante.

Lula aparece com 46%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 44%.

Com margem de erro de dois pontos, os dois estão tecnicamente empatados.

Na pesquisa anterior, Lula tinha 47%, contra 43% de Flávio. Ou seja, a vantagem caiu de quatro para dois pontos.

Isso não significa que Flávio esteja numericamente à frente.

Significa que não há vantagem estatisticamente segura de Lula sobre o adversário nesse cenário.

E essa diferença é fundamental para interpretar corretamente a pesquisa.

A rejeição também pesa

Outro dado importante é a rejeição.

Segundo o levantamento, 45% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum.

Flávio Bolsonaro apresenta rejeição ainda maior, de 47%.

Isso mostra que a eleição ainda pode ser decidida por eleitores que hoje não estão necessariamente identificados com nenhum dos dois candidatos.

A elevada rejeição dos dois principais nomes também ajuda a explicar por que o segundo turno permanece tão equilibrado.

Augusto Cury surge como novo fator

O crescimento de Augusto Cury para 8% é outro elemento que merece atenção.

Ele avançou seis pontos em apenas duas semanas.

Embora ainda esteja distante dos líderes, Cury passou a ocupar uma posição capaz de interferir na distribuição dos votos e, sobretudo, na transferência de apoios para um eventual segundo turno.

O crescimento também indica que parte do eleitorado continua aberta a alternativas fora da polarização Lula-Flávio.

A pesquisa foi feita depois do início do horário eleitoral

O levantamento foi realizado entre 1º e 3 de setembro, já em um momento de campanha mais intensa, com início do horário eleitoral e realização de debates e sabatinas.

Por isso, os números representam uma fotografia de um período em que os candidatos passaram a ter maior exposição pública.

Não significa, contudo, que o resultado esteja consolidado.

Campanhas ainda podem alterar intenções de voto, especialmente entre eleitores indecisos ou pouco engajados.

Mas afinal: dá para confiar no Datafolha?

A desconfiança em relação às pesquisas eleitorais é legítima e deve existir em relação a qualquer instituto, inclusive o Datafolha.

Isso não significa, porém, que o Datafolha seja um instituto sem credibilidade.

O Datafolha é um instituto tradicional, vinculado ao Grupo Folha, e divulga metodologia, tamanho da amostra, período de entrevistas, margem de erro e registro eleitoral.

Em pesquisas anteriores, o instituto publicou detalhadamente essas informações. Por exemplo, em um levantamento de 2024 para a Prefeitura de São Paulo, informou o número de entrevistados, as datas da coleta, a margem de erro, o nível de confiança e o registro no TSE.

Isso permite fiscalização e comparação.

Credibilidade não significa capacidade de prever o futuro

Esse é o ponto que muitas vezes se perde no debate.

Uma pesquisa não diz quem será eleito.

Ela mede a intenção de voto no período em que as entrevistas foram realizadas.

Portanto, mesmo uma pesquisa tecnicamente correta pode não reproduzir o resultado final se o eleitor mudar de opinião, se houver fatos novos, debates, crises políticas ou alterações na participação eleitoral.

Além disso, uma margem de erro de dois pontos significa que o resultado observado deve ser interpretado dentro de um intervalo estatístico.

Por isso, 46% a 44% não pode ser vendido como uma vitória de Lula nem como uma ultrapassagem de Flávio.

É empate técnico.

A história recomenda cautela

Pesquisas podem acertar tendências gerais e, ao mesmo tempo, errar a intensidade de uma disputa.

O próprio histórico do Datafolha mostra que os levantamentos são fotografias produzidas em momentos específicos. Em pesquisas anteriores, o instituto apresentou alterações importantes de intenção de voto ao longo de uma mesma campanha, mostrando como o eleitorado pode mudar de posição.

Por isso, a pergunta correta não é simplesmente “quem acredita no Datafolha?”.

A pergunta correta é:

o levantamento foi realizado com metodologia transparente e deve ser interpretado dentro de sua margem de erro e do momento em que foi coletado?

Neste caso, a resposta é sim.

Há motivos para Lula comemorar?

Lula pode comemorar a liderança no primeiro turno.

São 38% contra 33%.

Mas seria exagero interpretar o resultado como demonstração de uma eleição encaminhada.

A vantagem é pequena em termos políticos, e o segundo turno apresenta empate técnico.

Além disso, a rejeição de 45% indica que existe um contingente expressivo do eleitorado resistente à continuidade do petista no Palácio do Planalto.

Há motivos para Flávio Bolsonaro comemorar?

Também.

Flávio permanece com 33% no primeiro turno, mas aparece a apenas dois pontos de Lula no segundo turno dentro da margem de erro.

Isso fortalece sua narrativa de que a eleição está aberta.

O candidato ainda precisará conquistar votos de eleitores de outros candidatos e reduzir sua própria rejeição, que chega a 47%.

A pesquisa não pode ser transformada em propaganda

Esse talvez seja o principal cuidado.

Lula não pode dizer que “já ganhou” porque lidera por cinco pontos no primeiro turno.

Flávio também não pode dizer que “já virou” simplesmente porque existe empate técnico no segundo turno.

As duas conclusões seriam exageradas.

O que a pesquisa mostra é uma disputa competitiva, com liderança numérica de Lula no primeiro turno e equilíbrio acentuado no segundo.

O dado que realmente chama atenção

Mais do que os 38% de Lula ou os 33% de Flávio, o dado politicamente mais relevante é o encurtamento da distância no cenário de segundo turno.

O presidente tinha vantagem de quatro pontos no levantamento anterior.

Agora são dois.

E, estatisticamente, os dois estão empatados.

Isso significa que, neste momento, não há segurança para afirmar que Lula venceria Flávio Bolsonaro em uma segunda rodada.

Uma eleição ainda aberta

O levantamento também demonstra a existência de espaço significativo para mudanças.

Augusto Cury subiu de 2% para 8%.

Candidatos menores permanecem com percentuais baixos.

Brancos e nulos representam 6%.

Indecisos são 3%.

E Lula e Flávio têm índices de rejeição muito elevados.

O quadro, portanto, está longe de ser definitivo.

Conclusão

A pesquisa Datafolha de setembro mostra Lula em primeiro lugar no primeiro turno, com 38%, contra 33% de Flávio Bolsonaro.

Mas o dado mais importante é o segundo turno: Lula 46%, Flávio 44%, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Augusto Cury aparece com 8% e é o principal destaque da rodada, enquanto Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos 3% e Romeu Zema 2%.

O Datafolha possui metodologia pública e longa tradição na realização de pesquisas, o que dá ao levantamento credibilidade técnica. Mas credibilidade não significa infalibilidade, e muito menos transforma intenção de voto em resultado eleitoral.

A melhor leitura dos números é mais cautelosa — e também mais interessante:

Lula ainda lidera, mas não está com a eleição ganha. Flávio ainda perde no primeiro turno, mas está muito mais próximo no segundo turno.

Faltando pouco mais de um mês para a votação, a pesquisa mostra uma eleição aberta, uma liderança vulnerável e um segundo turno que, hoje, não permite apontar vencedor com segurança.

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