
De olho em 2026, Flávio Bolsonaro amplia presença internacional e testa discurso de presidenciável
Senador investe em viagens ao exterior, dialoga com lideranças estrangeiras e tenta projetar o Brasil conservador no cenário global
Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem apostado em uma estratégia clara para ganhar musculatura política: sair do circuito interno e levar seu discurso para fora do país. As viagens internacionais, cada vez mais frequentes, não são protocolares. Têm tom político, mensagem ideológica e objetivo eleitoral.
Nos últimos meses, Flávio passou por países estratégicos do Oriente Médio, como Bahrein e Israel, onde manteve encontros com autoridades de alto escalão. No Bahrein, participou de compromissos ao lado do primeiro-ministro e príncipe herdeiro Sheikh Salman bin Hamad, reforçando pontes diplomáticas e sinalizando alinhamento com governos conservadores da região.
Em Israel, o senador se reuniu com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e aproveitou o palco internacional para marcar posição. Em discursos públicos, criticou duramente o governo brasileiro atual e buscou se apresentar como representante de um Brasil que, segundo ele, compartilha valores históricos, religiosos e democráticos com o Estado israelense.
Para aliados, a estratégia é clara: construir uma imagem de liderança com trânsito internacional, algo que pesa cada vez mais em disputas presidenciais. Antes disso, Flávio também esteve nos Estados Unidos, onde se encontrou com o irmão Eduardo Bolsonaro e tentou agendas com representantes do governo norte-americano, reforçando laços com o eleitorado conservador que vive fora do país.
Roteiro já testado e aprovado
O caminho não é novo dentro da família Bolsonaro. Em 2018, Jair Bolsonaro trilhou uma rota parecida antes de chegar ao Planalto, apostando em viagens aos Estados Unidos, contatos com grupos conservadores e aproximação com lideranças da direita internacional. Agora, Flávio adapta essa fórmula ao seu próprio perfil e ao contexto de 2026.
Desde que teve sua pré-candidatura oficializada, em dezembro de 2025, com aval direto do pai, o senador tem repetido gestos calculados: diálogo com empresários, aproximação com o mercado financeiro, visitas a igrejas e discursos cada vez mais enfáticos — tudo pensado para consolidar sua imagem como alternativa real de poder.
Em reuniões reservadas, Flávio já sinalizou que pretende apresentar nomes técnicos para ministérios ainda durante a campanha, repetindo uma estratégia que ajudou Bolsonaro a ganhar credibilidade em 2018. Ele também afirma buscar quadros econômicos alinhados ao perfil liberal que marcou o governo anterior, inspirado em figuras como Paulo Guedes.
Construção de um projeto próprio
Apesar da herança política evidente, aliados destacam que Flávio tenta ir além do sobrenome. A ideia é se apresentar como alguém que conhece o Congresso, entende as engrenagens do Estado e, agora, começa a se posicionar como um nome com ambição e articulação internacional.
Ao levar o debate político brasileiro para fora do país, o senador aposta que o eleitor enxergará não apenas continuidade, mas também capacidade de diálogo global. Em um cenário polarizado e com eleições ainda distantes, Flávio Bolsonaro já age como quem sabe: a corrida presidencial começa muito antes da largada oficial.