
Defesa de Mauro Cid se prepara para rebater PGR e garantir benefícios da delação
Ex-ajudante de ordens apresenta suas últimas alegações no processo sobre a tentativa de golpe
A defesa do tenente-coronel Mauro Cid tem até esta terça-feira (29) para entregar ao Supremo Tribunal Federal (STF) suas considerações finais no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado.
Os advogados do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro devem concentrar seus esforços em contestar o parecer final do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que recomendou a redução dos benefícios da delação premiada de Cid. O objetivo da defesa é manter as vantagens previstas no acordo de colaboração firmado.
No documento entregue ao STF, o procurador Gonet argumenta que Cid teria omitido informações importantes e demonstrado resistência no cumprimento integral do acordo, pedindo que a redução da pena fique limitada a um terço, e não o benefício completo originalmente previsto.
Quando firmou o acordo, homologado em setembro de 2023, Mauro Cid pediu perdão judicial ou uma pena restrita a, no máximo, dois anos de prisão, além de solicitar a restituição de bens apreendidos e a extensão dos benefícios aos seus familiares diretos, assim como medidas de segurança para ele e sua família.
Nas alegações finais, Gonet destaca: “Diante do comportamento contraditório de Mauro Cid, com omissões e resistência ao cumprimento integral do acordo, entende-se que a redução da pena deve ser fixada no patamar mínimo.”
Entre advogados que acompanham o caso, a manifestação da PGR reforça a tese de que Cid fez uma delação seletiva e apresentou versões falsas em seus depoimentos. Como colaborador, o militar está obrigado a dizer a verdade sob risco de perder todos os benefícios concedidos.