Delação de Daniel Vorcaro citava Jaques Wagner e Rui Costa em supostos pagamentos, dizem interlocutores
Banco Master: PF e PGR teriam rejeitado acordo que mencionava líderes do PT da Bahia; investigação aponta que informações ajudam a embasar operação contra o senador Jaques Wagner
A tentativa de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro teria citado diretamente o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), além do ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, segundo interlocutores próximos ao empresário.

De acordo com essas fontes, o conteúdo apresentado por Vorcaro fazia parte de uma segunda proposta de colaboração com a Justiça, que acabou sendo rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nos últimos dias.
A delação, ainda segundo esses relatos, trazia detalhes sobre supostos pagamentos ligados a articulações envolvendo o Banco Master e políticos do PT baiano. O material, no entanto, não foi aceito como prova válida para um acordo de colaboração.
Nomes citados e supostos vínculos políticos
Além de Jaques Wagner, a delação também mencionaria Rui Costa, com foco no período em que ele governou a Bahia. As citações estariam relacionadas à operação do Credcesta, um sistema de crédito consignado voltado a servidores públicos estaduais, que posteriormente passou a ser operado pelo Banco Master entre 2018 e 2022.
Segundo interlocutores de Vorcaro, os pagamentos e relações descritos no documento seriam atribuídos a uma rede intermediada pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro e também alvo de buscas da Polícia Federal na operação mais recente.
Rui Costa nega relação direta com banqueiro
O ministro Rui Costa já negou publicamente qualquer proximidade indevida com Daniel Vorcaro. Em declarações anteriores, ele afirmou ter tido apenas um encontro institucional com o empresário e reforçou apoio às investigações sobre o caso.
Já em relação a Jaques Wagner, até o momento não houve manifestação oficial após as novas informações sobre a delação.
PF baseia investigação em mensagens, não na delação
Apesar da tentativa de colaboração, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas contra Jaques Wagner, não se baseia na delação de Vorcaro.
Segundo a Polícia Federal, o material que fundamenta a investigação vem principalmente de mensagens encontradas em celulares apreendidos, especialmente de Augusto Lima e outros investigados.
Essas mensagens indicariam possível atuação de parlamentares no Congresso Nacional em defesa de interesses do Banco Master, com contrapartidas que estariam sob análise dos investigadores.
Suspeitas envolvem benefícios milionários
Ainda de acordo com a investigação, Jaques Wagner teria sido beneficiado por vantagens que incluiriam:
- Um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões;
- Uso de aeronaves vinculadas a pessoas ligadas ao Banco Master;
- Regalias financeiras que, somadas, ultrapassariam R$ 3 milhões.
Os investigadores tratam esses dados como indícios, e o caso segue em fase de apuração.
Caso Master amplia pressão política
O avanço das investigações envolvendo o Banco Master tem atingido figuras de destaque da política nacional e ampliado a tensão entre governo e oposição.
Enquanto isso, a defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que o senador não tem participação em atos ilícitos. O caso segue sob análise da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.