
Democracia em risco? Jornal americano faz alerta sobre atuação do STF no Brasil
Colunista do Wall Street Journal vê “colapso do Estado de Direito” e critica protagonismo de Moraes em decisões judiciais com impacto político
A mais recente coluna da jornalista Mary Anastasia O’Grady, no prestigiado Wall Street Journal, soou como um sinal de alerta para a democracia brasileira. Para ela, o que se vê hoje no país é uma “deterioração alarmante das normas democráticas”, com destaque para a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e, especialmente, do ministro Alexandre de Moraes.
O texto, publicado neste domingo (13.jul.2025), analisa também a recente tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros, dizendo que o presidente Lula pode usá-la como justificativa para a crise econômica e fiscal que já vinha se agravando. Ainda assim, O’Grady acredita que há margem para negociação entre os dois países, apesar da tensão crescente.
A colunista destaca a carta enviada por Trump a Lula, interpretando a medida tarifária como um gesto de revanche pessoal e geopolítica. Mas o tom mais crítico vem ao tratar do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo ela, está sendo tratado de forma injusta pela Justiça brasileira.
“Desde 2019, o STF passou a ultrapassar seus limites, assumindo o papel de investigar, julgar e punir atores políticos. E o ministro Alexandre de Moraes tem se mostrado especialmente disposto a condenar”, escreve.
Para O’Grady, muitos brasileiros sentem — com razão, segundo ela — que Bolsonaro está sendo perseguido politicamente. Ela aponta que o ex-presidente foi tornado inelegível até 2030 por ter questionado o sistema de votação eletrônica, o que, em democracias consolidadas, seria visto como liberdade de expressão.
O artigo também critica o que chama de uso indevido do rótulo “antidemocrático” para calar opositores, e cita a decisão do STF que responsabilizou plataformas como Google e Meta por conteúdos de terceiros — contrariando, segundo ela, a Lei do Marco Civil da Internet, aprovada em 2014, que isenta empresas dessa obrigação.
No fim, O’Grady resume a sensação de parte da população brasileira: mesmo quem não apoia Bolsonaro enxerga nas decisões recentes da Corte um desvio preocupante do Estado de Direito e uma escalada do que ela chama de “censura institucionalizada”.