
Denúncia abala imprensa: ONG ligada a jornalista que publicou matéria falsa sobre ex-assessor de Bolsonaro recebeu R$ 400 mil da USAID
Advogado de Filipe Martins acusa Guilherme Amado de envolvimento em operação política e revela repasse de recursos estrangeiros antes da publicação da reportagem que levou à prisão do ex-assessor.
Uma nova denúncia está sacudindo o cenário político e jornalístico brasileiro. O advogado Jeffrey Chiquini, que representa o ex-assessor de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, revelou que a ONG dirigida pelo jornalista Guilherme Amado recebeu cerca de R$ 400 mil da USAID — agência de cooperação internacional do governo dos Estados Unidos — em 2023, pouco antes da divulgação da reportagem que culminou na prisão de seu cliente.
Segundo Chiquini, a matéria publicada por Amado continha informações falsas, que foram usadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para decretar a prisão de Martins. Documentos oficiais da Customs and Border Protection (CBP), órgão de imigração dos EUA, comprovaram que o registro usado como base para a acusação era forjado, já que Filipe nunca teria deixado o Brasil na data mencionada pela reportagem.
A ONG em questão, chamada Redes Cordiais, é dirigida por Guilherme Amado e, conforme a denúncia, recebeu o repasse financeiro pouco antes da matéria ser publicada. O advogado afirmou que vai processar o jornalista e denunciou o que chamou de “uso de financiamento estrangeiro para manipular narrativas e perseguir adversários políticos”.
Atualmente, Filipe Martins cumpre prisão domiciliar, com restrições severas — incluindo censura prévia que o impede de se manifestar nas redes sociais ou conceder entrevistas. Chiquini classificou a decisão como uma “violação flagrante dos direitos humanos” e relacionou o caso a uma forma moderna de lawfare, em que a lei é usada como arma política.
A denúncia acendeu um alerta sobre o papel de ONGs financiadas por entidades internacionais em casos sensíveis da política nacional. Especialistas e políticos vêm questionando a falta de transparência nesses repasses e o possível uso político do jornalismo como instrumento de influência externa.
Para Chiquini, o caso de Filipe Martins “escancara o risco da interferência estrangeira em decisões judiciais e na formação da opinião pública brasileira”. O episódio reacende o debate sobre independência da imprensa, neutralidade jornalística e a vulnerabilidade das instituições nacionais diante de pressões externas.