DEPOIS DE 25 ANOS, O SIM VEIO… MAS CALMA

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Acordo entre União Europeia e Mercosul avança, mas ainda pega fila nos parlamentos

Brasília — Depois de duas décadas e meia de reuniões, cafés frios e versões do mesmo texto, União Europeia e Mercosul finalmente chegaram a um acordo comercial. O “sim” inicial foi dado nesta sexta-feira (9), quando os embaixadores europeus reunidos no Coreper aprovaram provisoriamente o tratado. Vitória? Sim. Entrada em vigor imediata? Nem pensar.

Com a maioria qualificada garantida, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está autorizada a assinar o acordo em nome do bloco. Mas, como toda boa novela internacional, a assinatura é só o começo do próximo capítulo.

Agora o texto entra na fase mais lenta e imprevisível: a ratificação política. Traduzindo: o acordo vai passear por parlamentos, comissões, votações e debates — e isso pode levar meses ou até anos, dependendo do humor político de cada país.

O caminho europeu: Parlamento, parlamentos… e paciência

Na União Europeia, o tratado precisa passar pelo Parlamento Europeu. Além disso, partes do acordo podem exigir aprovação dos parlamentos nacionais dos países-membros, especialmente quando envolvem competências compartilhadas. É aqui que entram resistências conhecidas, como a da França, que ainda torce o nariz para o acordo.

Existe, porém, um atalho parcial: a chamada aplicação provisória. Se houver consenso, alguns trechos — principalmente os ligados à redução de tarifas — podem começar a valer antes da ratificação total. A UE já fez isso em outros acordos, mas ainda não há data definida.

E no Mercosul, como fica?

Do lado sul-americano, o roteiro também exige fôlego. O texto precisa ser aprovado pelos Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, cada um com seus próprios prazos, ritos e debates. O acordo só entra em vigor por completo quando todos os países dos dois blocos disserem “sim” oficialmente.

Na prática, isso significa que os benefícios podem chegar de forma desigual e em tempos diferentes, dependendo de como cada Congresso anda — ou corre.

Quando começa a valer de verdade?

Formalmente, só depois de todas as ratificações. Na prática, alguns setores podem sentir os efeitos antes, caso a aplicação provisória saia do papel. Mas, por enquanto, não há cronograma fechado.

Enquanto isso, o Brasil já olha para frente e tenta ampliar sua agenda comercial em 2026, com negociações envolvendo Emirados Árabes Unidos, Índia, México e Canadá.

Resumo da ópera:

  • O acordo saiu
  • A assinatura vem
  • A burocracia assume
  • E a pressa… fica para depois

Porque em comércio internacional, o “sim” histórico é só metade do caminho — a outra metade passa pelo plenário.

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