
Deputada petista desafia Israel e segue presa por recusar deportação relâmpago
Luizianne Lins (PT-CE) preferiu ficar atrás das grades a aceitar o que chamou de “documento abusivo”. A prisão ocorre após a parlamentar integrar missão humanitária rumo a Gaza — e o episódio já gera tensão diplomática.
A deputada Luizianne Lins, do PT do Ceará, continua detida em uma prisão israelense no deserto de Neguev. Ela se recusou a assinar um documento de “deportação acelerada”, um tipo de procedimento que permite a Israel expulsar estrangeiros sem passar por audiência judicial. Para a parlamentar, ceder seria uma forma de legitimar o que ela classificou como “prisão injusta”.
Segundo sua assessoria, Luizianne rejeitou o documento “por solidariedade” aos outros brasileiros que também foram detidos na missão humanitária à Faixa de Gaza. O grupo — composto por ativistas, políticos e voluntários — tentava romper o bloqueio israelense para levar alimentos e suprimentos à população palestina.
A parlamentar considera que o gesto de resistência é parte de sua trajetória na defesa dos direitos humanos. “Sua responsabilidade vai além de sua própria liberdade”, afirmou a nota oficial.
Enquanto aguarda audiência, Luizianne denunciou o que chamou de “sequestro político” por parte de Israel. A deputada relatou ter sido detida em alto-mar, ao lado de outros integrantes da flotilha, sem qualquer justificativa além da suspeita de apoio ao Hamas — acusação que o grupo nega.
As forças israelenses, por outro lado, afirmam que a operação foi pacífica e necessária para impedir o contrabando de armas.
🔒 Denúncias de maus-tratos e greve de fome
A equipe da deputada manifestou preocupação com relatos de falta de água, comida e medicamentos entre os presos. Segundo informações da Folha de S.Paulo, oito brasileiros se recusaram a assinar a deportação, entre eles a vereadora Mariana Conti (PSOL-SP) e o ativista Thiago Ávila, que iniciou uma greve de fome junto com outros três brasileiros.
Até o momento, apenas um dos detidos — o professor Nicolas Calabrese — foi deportado, após intervenção do consulado italiano.
Em um desdobramento simbólico, a ativista Greta Thunberg, que também participava da missão, relatou às autoridades suecas estar sendo mantida em condições precárias, em uma cela infestada de insetos.
Governo brasileiro acompanha, mas evita confronto
Apesar das denúncias, a Embaixada do Brasil em Tel Aviv afirmou que todos os detidos estão “em boas condições físicas” e demonstram “resiliência emocional”. O Itamaraty, no entanto, evita adotar um tom mais duro contra o governo israelense.
A crise ganhou contornos políticos e diplomáticos — e o silêncio oficial começa a soar como cumplicidade para os apoiadores da deputada. Luizianne, mesmo presa, enviou um recado firme:
“Exigimos que o governo de Israel liberte imediatamente as brasileiras e os brasileiros detidos ilegalmente.”
Entre o idealismo e a cela, a petista parece disposta a pagar o preço de sua coerência — e a transformar sua detenção em um ato político de resistência.