Trump desenterra o fantasma da Odebrecht e pode tropeçar em uma bomba diplomática

Trump desenterra o fantasma da Odebrecht e pode tropeçar em uma bomba diplomática

Departamento de Justiça dos EUA, sob comando de Trump, reabre o caso da empreiteira brasileira que sacudiu a Lava Jato — e o que parecia um capítulo encerrado pode virar uma dor de cabeça internacional.

O ex-presidente Donald Trump resolveu revirar o passado — e o alvo da vez é a Odebrecht, velha conhecida das manchetes da Lava Jato. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) anunciou uma revisão completa do acordo de leniência firmado com a empreiteira em 2016, que envolveu autoridades do Brasil, Suíça e EUA.

A medida, formalizada por uma carta do procurador-assistente Edward Martin, foi enviada a Andrew Weissmann, responsável original pelo acordo. Martin quer saber como e por que as negociações foram conduzidas daquele jeito — e deu até 7 de outubro como prazo final para as explicações. A primeira tentativa de contato, feita em março, havia sido ignorada.

Segundo fontes próximas ao caso, o novo procurador acredita que houve brechas e omissões que beneficiaram alguns governos e figuras políticas, especialmente durante gestões democratas. O principal ponto de questionamento é a falta de detalhamento dos contratos superfaturados — algo que teria dificultado a restituição às vítimas e aos países afetados.


💼 Lava Jato, fantasma que não se cala

Martin usou como exemplo o caso Rutas de Lima, no Peru, em que a ex-prefeita Susana Villarán é acusada de receber US$ 11 milhões das construtoras Odebrecht e OAS. Ele também comparou o caso com outras investigações da época, como Embraer, OZ Africa e Glencore, que tiveram documentação mais transparente e restituições diretas às vítimas.

A Lava Jato, vale lembrar, varreu o continente e atingiu quatro ex-presidentes peruanos — Alan García, Ollanta Humala, Alejandro Toledo e Pedro Pablo Kuczynski. O caso chegou a ganhar novos contornos em abril de 2025, quando Lula enviou um avião da FAB para buscar Nadine Heredia, esposa de Humala, oferecendo-lhe asilo político no Brasil.


💸 Um acordo bilionário e um fim conveniente

Em 2016, a Odebrecht admitiu o pagamento de US$ 788 milhões em propinas em 12 países, prometendo devolver US$ 3,5 bilhões em multas. No Brasil, parte do dinheiro — R$ 2,5 bilhões — foi destinada ao polêmico “fundo da Lava Jato”, mais tarde dissolvido pelo Supremo Tribunal Federal.

O ministro Dias Toffoli encerrou o capítulo brasileiro ao anular todas as provas obtidas no acordo da empreiteira, apagando as condenações de Marcelo Odebrecht e outros executivos.

Agora, com Trump de volta ao poder e o DOJ soprando poeira nos arquivos, o caso pode ressuscitar velhos fantasmas — inclusive alguns que atravessam fronteiras e gabinetes.


🎭 Ironia do destino

Enquanto no Brasil o tema é tratado como “página virada”, em Washington há quem diga que “a conta está chegando”. Se o DOJ confirmar falhas nas negociações, não só a Odebrecht, mas vários políticos latino-americanos — inclusive nomes graúdos do Brasil — podem voltar ao radar da Justiça americana.

Parece que a história da Lava Jato, que muitos tentaram enterrar, ainda não se deu por satisfeita. E agora, com Trump de pá na mão, é difícil prever o tamanho do buraco que ele pode abrir.

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