
Deputado do PL denuncia Erika Hilton por ter ex-maquiadores como assessores: MPF entra na história
Junio Amaral alega desvio de função e uso indevido de verba pública; deputada rebate e diz que os assessores atuam em funções institucionais e a maquiagen é voluntária
O deputado federal Junio Amaral (PL-MG) levou ao Ministério Público Federal (MPF) uma representação contra a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), alegando uso indevido da estrutura pública. Segundo ele, a parlamentar estaria utilizando assessores pagos com verba da Câmara para serviços pessoais de maquiagem, o que, em sua visão, caracteriza desvio de função e improbidade administrativa.
A polêmica surgiu após uma reportagem mostrar dois secretários parlamentares do gabinete de Erika — Índy Cunha Montiel da Rocha e Ronaldo César Camargo Hass — aparecendo em fotos enquanto a maquiavam antes de compromissos oficiais. O PL, partido de Amaral, também prometeu entrar com uma denúncia no Conselho de Ética da Câmara.
“É inaceitável esse tipo de comportamento. A verba pública é para o exercício do mandato, não para uso pessoal. As redes sociais dos próprios envolvidos mostram claramente a situação”, afirmou o parlamentar ao Estado de Minas.
A deputada Erika Hilton, no entanto, nega qualquer irregularidade. Segundo ela, os dois assessores exercem funções institucionais, como preparação de relatórios, participação em comissões e articulação com movimentos sociais e religiosos. A maquiagem, afirma, é feita fora do expediente e de forma voluntária, por amizade.
“Eles me ajudam na construção do mandato. O trabalho deles é institucional e político. A maquiagem não faz parte da função deles e, quando ocorre, é por vontade própria”, disse Erika em nota oficial.
A equipe da deputada apresentou imagens dos dois assessores em agendas formais, como reuniões no Tribunal de Justiça de Goiás e encontros na Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Erika reforça que a contratação dos dois não foi por suas habilidades como maquiadores, mas por suas competências no apoio parlamentar.
De acordo com os registros da Câmara, Índy está no cargo desde novembro de 2024, com salário de R$ 2.126,59. Já Hass foi nomeado em maio de 2024 e recebe R$ 9.678,22 mensais. Ambos mantêm presença ativa nas redes sociais, inclusive com publicações mostrando momentos com Erika, o que serviu de base para a denúncia.
Agora, o caso está sob análise do MPF e, se a denúncia for aceita, poderá avançar para o Conselho de Ética da Câmara. A defesa de Erika Hilton vê o movimento como uma tentativa de ataque político motivado pelo fato de ela ser uma parlamentar LGBTQIA+ e atuante em pautas progressistas.