Deputado que chamou Moraes de “lixo” pede perdão em encontro reservado com o ministro

Deputado que chamou Moraes de “lixo” pede perdão em encontro reservado com o ministro

Réu no STF, Otoni de Paula tenta salvar o mandato entregando carta de desculpas a Alexandre de Moraes após ataques pessoais durante lives; ministro aceitou o gesto, mas julgamento segue sem data definida.

Em um gesto surpreendente, o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) procurou pessoalmente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para se desculpar pelas ofensas que lhe dirigiu em 2020. Na época, o parlamentar chamou o magistrado de “lixo”, “canalha”, “vergonha”, “esgoto” e “déspota” em transmissões ao vivo nas redes sociais. Agora réu por injúria, difamação e coação, Otoni pode perder o mandato.

O encontro ocorreu no mês passado, no gabinete de Moraes, e durou cerca de 15 minutos. De Paula entregou uma carta escrita à mão, pedindo “perdão” e reconhecendo que havia se “excedido” movido por “forte emoção”. O ministro, segundo o deputado, foi cordial e compreensivo, embora o processo judicial siga em curso no STF.

Na carta o deputado afirma ter se sentido exposto publicamente após a decisão de Moraes que determinou a quebra de seu sigilo bancário, junto com outros parlamentares, no inquérito dos atos antidemocráticos. Ele diz ter sido tomado por “destempero” e admite vergonha pelas palavras usadas. Também ressalta sua trajetória como pastor das Assembleias de Deus e afirma que suas falas não condizem com os valores que prega.

“Fui seduzido por um momento de ataque às instituições, uma página triste da nossa política. Me arrependo profundamente”, escreveu. O deputado ainda apelou ao lado pessoal do ministro: “Peço a Vossa Excelência que me ajude a não viver essa vergonha diante dos meus filhos e da minha Igreja.”

Apesar do gesto de reconciliação, o julgamento que pode resultar na cassação do mandato de Otoni segue sem data marcada. O caso está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro. Alexandre de Moraes se declarou impedido de julgar o processo.

O deputado afirma que continuará criticando decisões da Suprema Corte com “respeito institucional”, mas que deixará os ataques pessoais no passado. Moraes, segundo ele, teria respondido que o problema nunca foram as críticas às decisões judiciais, mas os insultos pessoais.

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