Sindicato ligado a irmão de Lula tentou cobrar mensalidade até de beneficiários do Bolsa Família

Sindicato ligado a irmão de Lula tentou cobrar mensalidade até de beneficiários do Bolsa Família

Sindnapi, presidido por aliado de Frei Chico, pediu ao governo petista autorização para descontar contribuições diretamente dos assistidos, incluindo os mais vulneráveis do Bolsa Família e B

No início do governo Lula, o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) — que tem entre seus principais dirigentes Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — fez um movimento polêmico para ampliar a cobrança de mensalidades associativas. O sindicato, investigado pela Polícia Federal por suspeita de fraude nos descontos sobre aposentadorias, chegou a pedir ao governo autorização para descontar as contribuições até mesmo dos beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pagos pelo INSS.

O Metrópoles teve acesso a um documento datado de janeiro de 2023, assinado pelo então presidente do Sindnapi, João Batista Inocentini, no qual ele solicita ao ministro da Previdência da época, Carlos Lupi, uma série de flexibilizações nas regras para que o sindicato pudesse ampliar os descontos diretamente nos contracheques pagos pelo INSS. Entre os pedidos, estava a autorização para que os descontos não fossem aplicados apenas aos aposentados, mas também às pessoas que recebem benefícios assistenciais — algo que a lei não permite.

Apesar da tentativa, esse pedido não avançou. João Batista Inocentini faleceu em agosto de 2023, e hoje o sindicato é comandado por Milton Cavalo, tendo Frei Chico como vice-presidente desde 2024. O Sindnapi defende que essas articulações iniciais não tiveram relação direta com o aumento dos descontos que ocorreram posteriormente, no auge da farra dos descontos entre 2021 e 2023, quando o número de associados saltou de 170 mil para 420 mil e o faturamento da entidade passou de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).

A investigação da Polícia Federal levou à Operação Sem Desconto, que culminou na saída do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e do ex-ministro Carlos Lupi. O Sindnapi, apesar de estar no centro das investigações, não foi incluído formalmente na ação da Controladoria-Geral da União (CGU), que mirou associações suspeitas de irregularidades maiores.

Além dos pedidos para ampliar os descontos, o sindicato também tentou negociar que as filiações dos aposentados fossem renovadas automaticamente, sem necessidade de novos consentimentos, e que os benefícios sociais não fossem bloqueados para os descontos. Segundo o Sindnapi, muitos segurados enfrentavam dificuldades técnicas para desbloquear os descontos pelo aplicativo ou telefone do INSS, o que gerava transtornos para os beneficiários e para as entidades.

Em resumo, o Sindnapi tentou expandir sua arrecadação para os setores mais vulneráveis, um movimento que revela como a pressão por dinheiro das entidades sindicais pode chegar a limites pouco éticos, ainda mais quando envolve programas sociais destinados às pessoas mais necessitadas.

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