
Derrite enfrenta pressões e mantém pulso firme no PL Antifacção
Mesmo com críticas da Polícia Federal, o deputado promete endurecer penas e acabar com privilégios a criminosos, reforçando a defesa da lei e da ordem.
O deputado Guilherme Derrite (PP-SP) voltou a ocupar o centro do debate em Brasília com o PL Antifacção, projeto que promete apertar o cerco contra o crime organizado e pôr fim a regalias dentro e fora das prisões. A proposta, que ele relata na Câmara, busca endurecer as penas, equiparar ações de facções ao terrorismo e impedir que criminosos continuem controlando territórios e negócios de dentro das cadeias.
A Polícia Federal, no entanto, divulgou uma nota pública expressando “preocupação” com o texto, alegando que algumas mudanças poderiam limitar sua autonomia no combate ao crime. Segundo o comunicado, certas alterações poderiam obrigar a PF a depender da solicitação de governos estaduais para agir — algo que, na visão da corporação, enfraqueceria a resposta nacional contra o crime organizado.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tentou acalmar os ânimos e garantiu que a autonomia da PF será preservada. Ele contou ter intermediado o diálogo entre Derrite e o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, assegurando que a instituição seguirá com plenos poderes de investigação.
Mesmo diante das críticas, Derrite não recuou. Pelo contrário: anunciou que vai apresentar uma nova versão do relatório, ampliando as situações em que o patrimônio de empresas usadas por facções será bloqueado e defendendo penas que podem chegar a 40 anos de prisão, sem chance de progressão fácil.
“Não vou voltar atrás na equiparação das facções ao terrorismo. As práticas armadas e de domínio territorial têm que receber o mesmo tratamento”, afirmou.
Derrite, que se afastou temporariamente da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para relatar o projeto, tem recebido elogios de quem defende uma postura mais firme do Estado contra o crime — e críticas de setores que enxergam no texto um endurecimento excessivo.
Mas, em tempos em que o país vê facções dominando comunidades, controlando rotas de tráfico e impondo o medo, a defesa de Derrite por penas mais duras e o fim dos privilégios soa como um grito de basta — uma tentativa de devolver à sociedade o controle que o crime tomou.
Em meio à polêmica, uma coisa é certa: Derrite se consolida como um dos poucos dispostos a enfrentar o crime organizado de frente, mesmo sob o fogo cruzado das críticas.