“Diálogo” ao Estilo UnB: Estudantes Usam um Pau para Ironizar Conversa com a Extrema Direita

“Diálogo” ao Estilo UnB: Estudantes Usam um Pau para Ironizar Conversa com a Extrema Direita

Ato por cotas trans vira cena simbólica quando aluno ergue um pedaço de madeira escrito “diálogo” enquanto colegas discutem como lidar com provocadores

A Universidade de Brasília sempre foi palco de debates acalorados, mas desta vez a ironia ganhou forma física — literalmente. Imagens que circulam nas redes mostram um protesto no campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte, em que estudantes defendiam cotas para pessoas trans e a adoção de banheiros neutros.

O clima era de manifestação política tradicional até o momento em que uma jovem discursava sobre como lidar com provocações da extrema direita. Ela defendia “resolver no diálogo”. Bastou a frase ecoar pelo ICC Norte para que um estudante levantasse um pedaço de madeira com a palavra “diálogo” rabiscada — um gesto que virou metáfora instantânea do cansaço geral: se a fala não resolve, talvez o pau resolva. Ironia pura. Ou desespero mesmo.

O vídeo viralizou porque, convenhamos, poucas coisas resumem tão bem o debate político atual quanto alguém segurando um pedaço de pau chamado “diálogo”.

A UnB foi procurada para comentar, mas até o fechamento da matéria não havia dado retorno.

Quando o caso começou

A manifestação ocorreu poucos dias depois de um episódio que incendiou discussões dentro e fora do campus: uma aluna de agronomia, de 23 anos, foi presa acusada de injuriar uma estudante trans dentro do banheiro feminino do ICC.

Segundo a Polícia Civil do DF, a vítima estava apenas usando o espelho quando ouviu que “não poderia estar ali por ser biologicamente homem”. Na sequência vieram os xingamentos: “viadinho” e “jack” — gíria usada como ofensa pesada, insinuando que alguém seria “estuprador”. A confusão terminou com segurança acionada, PM no local e as duas na delegacia.

O caso foi enquadrado como injúria homofóbica, na forma de injúria racial, seguindo entendimento do STF. A estudante foi indiciada sem direito a fiança.

A UnB declarou, na época, que acompanharia o caso junto às autoridades e reforçou compromisso com diversidade e convivência respeitosa — algo que parece cada vez mais necessário, considerando que até a palavra “diálogo” já virou objeto contundente em ato estudantil.

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