
Show Must Go On: Prefeitura do Rio Corta Segurança para Torrar Milhões em Eventos
Enquanto a população pede proteção, o orçamento da Guarda Municipal encolhe para bancar festas, patrocínios e turnês musicais
A vida do carioca é um eterno pedido de socorro — às vezes literalmente. Mesmo assim, a Prefeitura do Rio parece viver numa realidade paralela, onde o maior problema da cidade não é a violência, mas a falta de grandes eventos. Pelo menos é o que mostram as publicações do Diário Oficial, que deixam claro onde estão as prioridades da atual gestão.
De um lado, a Guarda Municipal perdeu R$ 4,7 milhões destinados às atividades operacionais — dinheiro que deveria fortalecer rondas, treinar agentes, manter equipamentos funcionando e garantir o mínimo de presença da força pública nas ruas. Do outro lado, esse mesmo valor foi realocado para inflar ainda mais o caixa da Casa Civil, que segue despejando recursos em eventos patrocinados como se 2025 fosse um réveillon permanente.
A ação “Apoio a Eventos da Casa Civil” já recebeu R$ 100 milhões adicionais só este ano, um crescimento absurdo de 8.746% em relação ao previsto. Se segurança tivesse esse mesmo salto, talvez o carioca pudesse ao menos atravessar a rua sem rezar.
A conta (cara) dos shows
E não para por aí. Via Riotur, a prefeitura decidiu desembolsar R$ 3 milhões para o projeto “Diogo Nogueira – 20 anos”, um espetáculo com orquestra, dançarinos e convidados para viajar o Brasil entre 2026 e 2027. Nem precisava confirmar: claro que é ano pré-eleitoral.
Segundo o gabinete do vereador Fernando Armelau (PL-RJ), responsável por destrinchar o orçamento municipal, o processo do patrocínio parecia peça de teatro mal ensaiada: não dizia de forma clara quem era o artista beneficiado, informação descoberta somente após investigação nos sistemas da Prefeitura.
Para completar o enredo, o valor inicialmente informado — R$ 1 milhão — foi multiplicado por três em poucos dias. Um ajuste “discreto”, digamos assim.
E não é uma relação nova: desde 2014, Diogo Nogueira já acumulou mais de R$ 2 milhões em patrocínios municipais, sempre através da produtora Dig Nog Produções.
“É um escárnio”, diz vereador
Indignado, Armelau resumiu o sentimento de boa parte da população:
“Como tirar dinheiro da Guarda Municipal para bancar eventos? E, pelo visto, shows Brasil afora? É um escárnio.”
O gabinete vai pedir que o Tribunal de Contas do Município investigue o patrocínio e que a Riotur detalhe onde exatamente serão enfiados esses R$ 3 milhões.
Enquanto isso, o carioca segue convivendo com a insegurança — problema que, segundo pesquisa Genial/Quaest de outubro, é o que mais tira o sono dos brasileiros. Mas, para a prefeitura, ao que parece, a prioridade mesmo é fazer a cidade brilhar… só não para quem precisa de proteção.