
Dinheiro público sem freio: governo libera milhões pela Lei Rouanet enquanto o país aperta o cinto
Projeto do “Museu do Brega”, em Recife, recebe sinal verde para captar mais de R$ 4 milhões, reacendendo críticas à política cultural comandada por Margareth Menezes
Enquanto milhões de brasileiros lidam com inflação alta, serviços públicos precários e orçamento apertado, o governo federal decidiu abrir mais uma porteira da Lei Rouanet. Desta vez, a autorização foi para que uma ONG capte mais de R$ 4 milhões com recursos incentivados para a criação do chamado Museu do Brega, na cidade de Recife.

A justificativa oficial é nobre no papel: reconhecer o brega como manifestação relevante da cultura popular. Na prática, porém, a decisão escancara um velho problema — o uso recorrente de dinheiro público para bancar projetos culturais enquanto áreas essenciais seguem abandonadas. Para muita gente, soa como deboche ver milhões circulando livremente no setor cultural, sempre protegido pelo guarda-chuva da Rouanet.
A liberação ocorre sob a gestão da ministra da Cultura Margareth Menezes, que tem sido alvo constante de críticas pela forma como a pasta distribui autorizações milionárias. A sensação, entre críticos, é de que o ministério funciona como uma fábrica de liberações automáticas, onde o carimbo vem antes do bom senso — e a conta, inevitavelmente, sobra para o contribuinte.
Embora o mecanismo da Rouanet permita que empresas abatam impostos ao financiar projetos culturais, o impacto final recai sobre os cofres públicos. Ou seja, é dinheiro que deixa de ir para saúde, segurança ou educação para alimentar iniciativas escolhidas dentro de gabinetes, muitas vezes sem debate público ou critérios claros de prioridade.
O projeto do museu, ainda em fase de captação, já virou símbolo do descontentamento com a política cultural do atual governo. Para críticos do Governo Federal do Brasil, o episódio reforça a percepção de que há uma dedicação quase obsessiva em liberar recursos via Rouanet, enquanto problemas reais do país seguem sendo empurrados para depois.
No fim das contas, a pergunta permanece ecoando: em um Brasil cheio de urgências, faz sentido transformar milhões em incentivo cultural sem limites, como se o dinheiro público fosse infinito? Para muitos, a resposta é clara — e o repúdio, inevitável.