
Dívida Pública Federal ultrapassa R$ 7,8 trilhões e acende alerta sobre o futuro das contas públicas
Emissão recorde de títulos e custo maior do financiamento mostram que o rombo no país continua crescendo
No final de junho de 2025, a Dívida Pública Federal (DPF) atingiu o assustador patamar de R$ 7,88 trilhões — um salto de R$ 212,7 bilhões em apenas um mês, segundo dados do Relatório Mensal da Dívida Pública divulgado pelo Tesouro Nacional. Esse aumento de 2,77% é fruto de uma forte emissão líquida de títulos da dívida, que somou mais de R$ 159 bilhões em junho.
Do montante total, R$ 7,58 trilhões estão concentrados na Dívida Pública Mobiliária Federal interna, que subiu quase 3% no mês, enquanto a dívida externa recuou levemente, chegando a R$ 302 bilhões. Os títulos prefixados — aqueles com taxa fixa — foram os campeões das emissões, seguidos pelos atrelados à taxa Selic e pelos indexados à inflação.
No Tesouro Direto, onde investidores comuns aplicam seu dinheiro, o volume de vendas chegou a R$ 5,77 bilhões, com resgates de R$ 2,92 bilhões, configurando uma emissão líquida positiva.
Apesar de o custo médio da dívida em 12 meses ter apresentado uma leve queda — de 11,73% para 11,41% ao ano —, o custo médio dos títulos emitidos subiu para 13,52%, evidenciando que o governo enfrenta taxas de financiamento cada vez mais caras para se sustentar.
Outro dado preocupante é o aumento significativo da reserva de liquidez, que passou de R$ 861 bilhões para R$ 1,03 trilhão, ampliando o colchão de recursos para pagar compromissos futuros, mas também indicando que o governo acumula mais dívidas para cobrir despesas imediatas.
Além disso, o prazo médio da dívida diminuiu, sinalizando que o país está assumindo mais dívidas com vencimento próximo — um risco que pode apertar ainda mais as contas públicas nos próximos meses.
Quem detém essa gigantesca dívida? Principalmente instituições financeiras, que respondem por 31,3%, seguidas por fundos de previdência e fundos de investimento. Também cresceu a participação de investidores estrangeiros, que aumentaram a compra de títulos em R$ 18,8 bilhões.
Esse cenário mostra que, apesar dos discursos otimistas, o Brasil caminha numa corda bamba financeira, com dívidas crescentes, custos maiores para se financiar e uma crescente dependência de credores. É urgente discutir políticas reais de controle fiscal, porque o peso dessa dívida não vai deixar o país tranquilo tão cedo.