Do Supremo às Livrarias: Moraes agora também julga com a caneta

Do Supremo às Livrarias: Moraes agora também julga com a caneta

Ministro do STF é finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico com livro que aponta o dedo contra o “populismo digital extremista” — o mesmo fenômeno que, por coincidência (ou não), só parece brotar à direita do mapa político.

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal — conhecido por travar batalhas jurídicas incansáveis contra o que chama de “milícias digitais” — decidiu que era hora de estender seu campo de atuação. Agora, além de relatar inquéritos, ele também assina capítulos. Moraes é finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025, promovido pela Câmara Brasileira do Livro, com uma obra em que denuncia o tal “populismo digital extremista”.

O livro, de título nada modesto “Democracia e Redes Sociais: o Desafio de Combater o Populismo Digital Extremista”, poderia muito bem ser lido como um espelho da atuação do ministro nas redes e tribunais. Na publicação, lançada pela editora Atlas, ele analisa como grupos digitais têm supostamente se infiltrado no ecossistema das redes sociais e de aplicativos de mensagens privadas para minar a democracia — uma análise que casa perfeitamente com suas decisões mais controversas no STF e TSE.

Não faltam críticas à desinformação, ao discurso de ódio e aos ataques às instituições — ainda que o autor, curiosamente, não cite a esquerda digital como parte do problema. Afinal, parece que o extremismo tem lado, cor e alvo preferido: a direita.

A obra defende a urgente regulamentação das plataformas digitais e a proteção do eleitorado contra manipulações — uma bandeira que Moraes já vem hasteando com veemência na Justiça Eleitoral. Coincidência ou marketing?

Na lista de finalistas também estão nomes como o ex-ministro do TSE André Ramos Tavares, a secretária-geral do STF Aline Osorio (com obra coorganizada com Letícia Giovanini), além de juristas renomados como Bruno Rodrigues de Lima e Orlando Villas Bôas Filho. A presença de nomes ligados ao Judiciário reforça o tom institucional da disputa, que será decidida no dia 5 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com transmissão ao vivo pela internet.

E assim, Moraes segue acumulando títulos — não apenas jurídicos, mas agora também literários. Para quem já era protagonista do enredo político do Brasil, ganhar o Jabuti seria só mais um capítulo. Resta saber se o júri vai considerar o livro uma contribuição acadêmica… ou só uma extensão em papel da toga que ele nunca tira.

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