Dois pesos, duas medidas: a revolta da defesa de Bolsonaro diante do tratamento dado pelo STF

Dois pesos, duas medidas: a revolta da defesa de Bolsonaro diante do tratamento dado pelo STF

Advogado critica a contradição: Collor cumpre pena em casa, enquanto Bolsonaro é levado para uma cela — mesmo doente e cercado por escolta 24h

O advogado Paulo Cunha Bueno, responsável pela defesa de Jair Bolsonaro, deixou a Superintendência da Polícia Federal indignado. Para ele, a situação beira o absurdo: Fernando Collor, condenado e preso, cumpre pena no conforto da própria residência por causa de problemas de saúde, mas Bolsonaro, que enfrenta um quadro clínico delicado, foi arrancado de casa e colocado numa sala da PF como se representasse ameaça real.

Segundo o advogado, essa diferença de tratamento é “inconcebível” — e soa ainda mais contraditória quando se observa que Bolsonaro vive sob monitoramento constante. Há uma viatura armada, com agentes federais, estacionada dia e noite na porta da casa dele. Falar em fuga, diz Cunha Bueno, é simplesmente inventar uma justificativa que não se sustenta.

Ele evitou comentar diretamente sobre o episódio da tornozeleira — que Bolsonaro admitiu ter tentado abrir —, mas reforçou que isso não muda o óbvio: “O presidente não teria como sair dali sem ser visto. É tentar justificar o injustificável.”

A prisão preventiva foi determinada por Alexandre de Moraes após pedido da Polícia Federal, que alegou que a vigília convocada por Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, poderia gerar tumulto e favorecer uma possível fuga. A vigília — um encontro religioso de apoiadores — foi interpretada como tentativa de criar cortina de fumaça.

Na decisão, Moraes também afirmou que a suposta tentativa de violar a tornozeleira indicaria intenção de fuga, fortalecida pelo “ambiente confuso” que a vigília poderia gerar. Para a defesa, essa leitura extrapola qualquer razoabilidade.

Agora Bolsonaro permanece na PF, ao menos até a audiência de custódia marcada para domingo. Depois disso, o caso seguirá para análise dos ministros da Primeira Turma do STF, que farão uma avaliação virtual da decisão de Moraes na segunda-feira.

Enquanto isso, cresce o sentimento de que há um peso e uma régua para cada ex-presidente. E que, quando o nome é Jair Bolsonaro, o rigor parece sempre multiplicado — independente das circunstâncias.

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