Dois pesos, duas medidas?

Dois pesos, duas medidas?

Flávio Dino mira Bolsonaro e aliados, mas fecha os olhos para governadores e o Consórcio Nordeste?

O ministro do STF, Flávio Dino, autorizou nesta quarta-feira (17) a abertura de um inquérito contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 23 nomes ligados à sua gestão durante a pandemia. A Polícia Federal terá 60 dias para investigar suspeitas de fraudes em contratos, desvio de recursos e superfaturamento apontados no relatório final da CPI da Covid.

Entre os alvos, estão três filhos do ex-presidente — Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro — além de deputados como Carla Zambelli e Bia Kicis e ex-ministros de peso, como Onyx Lorenzoni e Ricardo Barros. O documento que embasa a decisão fala em contratos firmados com empresas de fachada, serviços fantasmas e uso irregular de dinheiro público.

Até aí, parece que a Justiça está sendo feita. Mas a pergunta que fica entalada na garganta de muita gente é: será que a lupa da lei vai se virar também para os governadores que receberam bilhões de reais e nunca entregaram os respiradores prometidos? E o famoso Consórcio Nordeste, que até hoje não explicou o sumiço de quase R$ 50 milhões numa compra de equipamentos que nunca chegaram?

A decisão reacende um dos capítulos mais dolorosos da pandemia, quando vidas foram usadas como moeda política. No entanto, o silêncio em relação a outros escândalos que também custaram vidas soa como seletividade — como se houvesse “culpados de estimação” e “intocáveis”.

Se a promessa é de justiça, que seja completa. Investigar apenas um lado é brincar com a memória de milhares de famílias que perderam seus entes queridos sem sequer ter acesso a um respirador que, em muitos casos, foi pago e nunca entregue.

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