
Dólar recua ao menor nível em 15 meses após clima amistoso entre Trump e Lula
Tom diplomático dos presidentes anima mercado, e moeda americana fecha cotada a R$ 5,27
O mercado financeiro respirou aliviado nesta terça-feira (23). O dólar encerrou o dia em queda de 1,11%, cotado a R$ 5,2791, o menor valor desde junho de 2024. A principal razão para o otimismo foi a inesperada “química excelente” que Donald Trump disse ter com Luiz Inácio Lula da Silva após um breve encontro nos bastidores da ONU.
A fala do republicano foi interpretada como sinal de aproximação diplomática, especialmente diante das tensões recentes sobre tarifas. Analistas do mercado viram no gesto uma abertura para negociações comerciais. “Esse tom mais amistoso diminuiu a incerteza e deu fôlego ao real”, avaliou Glaucy Rosa Lima, gestora de câmbio da Fair Corretora.
O Palácio do Planalto confirmou que a conversa entre os presidentes foi rápida, mas cordial, e que há expectativa de um novo contato — possivelmente por telefone ou até mesmo presencial — na próxima semana.
Além do fator político, o real também ganhou impulso com a alta de mais de 1% nos contratos futuros de petróleo, revertendo quatro quedas consecutivas. No cenário externo, declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a fraqueza do mercado de trabalho nos EUA reforçaram apostas de manutenção de juros mais baixos, o que favorece moedas emergentes.
Já no Brasil, a ata do Copom trouxe a percepção de que não haverá cortes de juros no curto prazo, mantendo o diferencial de taxas atrativo para investidores. Outro dado positivo foi a arrecadação federal de agosto, que somou R$ 208,7 bilhões.
O saldo do dia foi um câmbio mais calmo, embalado pela combinação rara de diplomacia política, petróleo em recuperação e sinais de alívio nos juros.