
Enquanto a CPMI do INSS pede respostas, Alcolumbre prefere dançar
Presidente do Senado aparece em clima de festa no Amapá enquanto investigação sobre fraudes bilionárias segue ignorada
Se a política brasileira fosse medida pelo gingado, Davi Alcolumbre estaria em plena forma. O presidente do Senado foi flagrado dançando animadamente durante um evento político em Macapá, no Amapá, em meio à filiação do governador Clécio Luís ao União Brasil. Sorrisos, música e passos ensaiados marcaram a cena — tudo muito descontraído, como se não houvesse pendências urgentes batendo à porta do Congresso.
O evento aconteceu em uma quadra ligada à Igreja Jesus de Nazaré e reuniu lideranças locais, aliados e apoiadores. A dança, segundo relatos, foi uma celebração partidária. Nada de errado com comemorar — o problema é o contraste. Enquanto Alcolumbre exibia leveza no palco, a CPMI do INSS seguia à deriva, sem resposta do próprio presidente do Congresso para discutir a prorrogação dos trabalhos.
Não foi um episódio isolado. Dias depois, o senador voltou às redes sociais dançando forró durante as festividades do aniversário de Macapá, desta vez à espera de um show musical. O recado visual é claro: tempo para festa existe. Para ouvir a CPMI que investiga fraudes contra aposentados, não.
A omissão ganha contornos ainda mais graves diante do escândalo envolvendo o INSS e o caso Banco Master, que revelou um esquema de descontos indevidos e movimentações bilionárias às custas de beneficiários vulneráveis. A comissão corre contra o relógio, com prazo prestes a expirar, enquanto o comando do Congresso parece mais atento ao ritmo da música do que ao peso das investigações.
A reabertura do ano legislativo, marcada por abraços e selfies, reforçou o clima festivo em Brasília. Mas, nos bastidores, a cobrança é outra: respostas, responsabilidade e compromisso institucional. Ignorar a CPMI não é detalhe administrativo — é escolha política.
No fim, fica a ironia difícil de engolir: enquanto aposentados esperam justiça e o país cobra explicações, o presidente do Senado dança. O problema não é o passo. É a fuga do compasso que a função exige.