
Carlos Bolsonaro reage à Justiça e questiona: “Para uns, saidinha; para outros, não”
Filho do ex-presidente critica decisão que libera Japa do PCC para as festas enquanto Jair Bolsonaro segue sem o benefício
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) voltou a usar as redes sociais neste sábado (20) para expressar indignação com o que considera um tratamento desigual da Justiça. O motivo foi a autorização concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para que Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC, passe o fim de ano fora da prisão, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro não terá direito à chamada “saidinha” natalina.
Em publicação na rede X, Carlos compartilhou a informação de que Japa do PCC — acusada de lavar dinheiro para a facção criminosa e presa desde fevereiro de 2024 — poderá passar as festas na casa da mãe, em Santos, no litoral paulista. A decisão contrastou, segundo ele, com a situação do pai, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses na Superintendência Regional da Polícia Federal, em razão de condenação ligada à trama golpista.
Com ironia, Carlos sugeriu que seria “apenas coincidência” o fato de uma condenada por ligação com o crime organizado receber o benefício, enquanto Jair Bolsonaro permanece sem qualquer possibilidade de saída temporária no período de fim de ano.
Do ponto de vista legal, a saidinha é concedida apenas a presos em regime semiaberto — condição que não se aplica ao ex-presidente, que cumpre pena em regime fechado. Além disso, a Lei nº 14.843/2024, conhecida como Lei da Saidinha, endureceu ainda mais as regras, restringindo o benefício para condenados por crimes cometidos com violência ou grave ameaça.
No caso de Bolsonaro, as condenações por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito o colocam entre os que, pela legislação atual, dificilmente teriam acesso à saída temporária, mesmo em eventual progressão de regime.
Apesar disso, o ex-presidente deve deixar temporariamente a prisão nos próximos dias, não para lazer ou visita familiar, mas para a realização de uma cirurgia em um hospital particular de Brasília. O procedimento já foi autorizado pelo STF, embora ainda não haja data definida.
A manifestação de Carlos Bolsonaro reacende o debate público sobre critérios, rigidez da lei e a percepção de seletividade nas decisões judiciais — um tema que segue alimentando tensões políticas e jurídicas no país.