
Entre a memória e a guerra: Israel lembra atentado de 2023 enquanto Hamas exige retirada total de Gaza
Dois anos após o ataque que abalou o mundo, homenagens em Israel e novas negociações no Egito reacendem esperança de cessar-fogo — mas exigências e desconfianças mantêm a paz distante.
Dois anos após o ataque devastador de 7 de outubro de 2023, Israel parou para lembrar suas vítimas. Em Tel Aviv e em várias cidades, o silêncio das 6h29 — hora exata do início da ofensiva do Hamas — ecoou como uma ferida aberta. Enquanto famílias acendiam velas e reféns libertados reviviam lembranças dolorosas, o conflito ainda respira.
No Egito, representantes israelenses e palestinos se reuniram em Sharm el-Sheikh para mais uma tentativa de acordo. O Hamas, firme em suas exigências, declarou que só libertará o último refém se Israel retirar todas as tropas de Gaza e aceitar um cessar-fogo completo. O grupo também pede a entrada irrestrita de ajuda humanitária, o retorno de civis deslocados e o início da reconstrução do território.
Do outro lado, Israel mantém cautela. O plano de 20 pontos apresentado por Donald Trump — que tenta atuar como mediador ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu — prevê uma retirada militar gradual e sob supervisão internacional. Trump, em discurso na Casa Branca, afirmou ver “uma chance real de paz”, embora tenha reforçado que apoiará Israel caso o Hamas recuse o acordo.
Mesmo com as feridas da guerra ainda abertas — mais de 67 mil mortos em Gaza e 1,2 mil israelenses apenas no primeiro dia de ataques —, há um leve sopro de otimismo. Autoridades egípcias e cataris tentam garantir acesso humanitário e segurança para a saída das tropas israelenses, enquanto diplomatas falam em “avanços discretos” nas negociações.
Mas a dor persiste. No memorial construído onde ocorria o festival Nova, local do massacre de centenas de jovens, Orit Baron, mãe de uma das vítimas, disse com a voz embargada:
— Estou aqui porque foi o último lugar onde minha filha esteve viva. É como se ela ainda estivesse comigo.
Enquanto Israel presta homenagens, o Hamas acusa a comunidade internacional de “silêncio vergonhoso” e denuncia a continuidade dos bombardeios, que deixaram mais 13 mortos apenas nesta terça-feira. O grupo insiste que a resistência “não vai se calar” até que a ocupação termine.
Entre homenagens e negociações, o mundo observa — dividido entre a esperança de que a guerra finalmente se encerre e o medo de que a história se repita mais uma vez, como um eco trágico que insiste em não se calar.