
Entre samba e urnas: Nikolas transforma tombo na Sapucaí em recado direto a Lula
Escola que fez ode ao petista terminou no último lugar, e deputado ironiza: “O Brasil também sabe rebaixar”
O Carnaval mal acabou e já virou munição política. O deputado federal Nikolas Ferreira aproveitou o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para cutucar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — com ironia, timing e uma frase que rapidamente circulou nos bastidores de Brasília.
A escola, que apostou todas as fichas em um enredo declaradamente político — “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” — não empolgou os jurados na Marquês de Sapucaí. Resultado: última colocação do Grupo Especial, apenas 264,6 pontos e passagem direta para a segunda divisão do Carnaval carioca.
Para Nikolas, o recado foi simbólico. Em tom sarcástico, fez o paralelo que seus apoiadores adoram ouvir:
“Faremos o mesmo com o Lula em outubro: o Brasil vai rebaixá-lo”, disparou, associando o fracasso carnavalesco ao que ele projeta para as eleições de 2026.
O mérito político do deputado está justamente aí: transformar um episódio cultural em narrativa eleitoral, sem rodeios. Enquanto a escola desfilava slogans, números do PT e gritos de militância — incluindo referências à primeira-dama Janja e até a produções culturais alinhadas ao governo —, o público assistia a um desfile que parecia mais palanque do que festa popular.
A tentativa de transformar a avenida em propaganda não convenceu quem realmente decide: os jurados. E agora, o que era para ser exaltação virou motivo de chacota. A derrota da escola passou a ser usada pela oposição como metáfora perfeita: muito discurso, muita militância, pouca entrega.
No fim, o samba que prometia esperança terminou em silêncio constrangido. E Lula, mais uma vez, virou personagem involuntário de um enredo que começou com aplausos ensaiados e acabou em rebaixamento oficial. Nikolas agradeceu — e sorriu.