
Escolas cívico-militares viram alvo político: modelo com bons resultados enfrenta resistência da esquerda e críticas da ONU
Apesar de melhorias comprovadas no desempenho escolar e na segurança, modelo educacional inspirado na disciplina militar sofre ofensiva política e ideológica; especialistas veem disputa por narrativas acima dos fatos
O modelo das escolas cívico-militares, que mistura gestão civil com presença disciplinar de militares, tem apresentado resultados positivos em vários estados do Brasil. Em Goiás, por exemplo, um estudo publicado no International Journal of Educational Development mostra que, entre 2007 e 2020, colégios que adotaram esse modelo tiveram melhorias significativas no rendimento escolar e uma queda sensível nos índices de violência. O Paraná também colhe bons frutos: o estado lidera o Ideb nacional, com destaque para instituições que seguem o formato cívico-militar.
Mesmo assim, o modelo tem sido alvo de críticas intensas. Desde que foi extinto como política federal em 2023, por decisão do presidente Lula, as escolas passaram a funcionar sob a responsabilidade dos estados — e enfrentam forte oposição, principalmente de setores ligados à esquerda, como PT e PSOL. Uma dessas ofensivas partiu do próprio PSOL, que levou o caso à ONU. Em resposta, a Comissão dos Direitos da Criança recomendou o fim da militarização das escolas públicas no Brasil, sob a justificativa de que esse formato fere direitos fundamentais — sem, no entanto, detalhar quais.
A reação pegou mal entre os defensores do modelo. Muitos argumentam que a decisão tem mais a ver com ideologia do que com dados concretos. “Temos evidências sólidas de que essas escolas melhoraram o desempenho dos alunos e reduziram a violência”, diz Jevuks Matheus de Araujo, pesquisador da UFPB e autor do estudo citado.
A pesquisa feita por ele com cerca de 66 mil alunos de 60 escolas de Goiás revelou avanços de até 15 pontos em matemática e 11,6 pontos em português. As taxas de reprovação caíram 10%, e os ambientes ficaram mais seguros: menos ameaças a professores, menos casos de drogas e armas nas escolas.
Apesar disso, iniciativas como a do governo de São Paulo, que pretende implantar 100 novas escolas nesse modelo, enfrentam resistência jurídica. A proposta foi barrada temporariamente pelo TJ-SP e está agora nas mãos do STF. A Secretaria de Educação paulista defende que a adesão das escolas foi voluntária e que a medida não substitui o ensino tradicional, apenas oferece uma nova alternativa.
O peso da recomendação da ONU também foi questionado por especialistas. Para o professor Alexandre Pires, do Ibmec-SP, os pareceres da Comissão da ONU não têm força legal e muitas vezes ignoram as realidades locais. Ele lembra que o comitê não conta com representantes brasileiros, o que pode gerar avaliações descoladas do contexto nacional.
Por trás de toda essa disputa, há também uma batalha por narrativas. Para o cientista político Marcelo Suano, o embate vai além da educação: “A esquerda radical prefere manter um ensino ideologizado, onde se fala mais sobre luta de classes do que sobre cidadania. O modelo cívico-militar quebra isso, porque devolve à criança o direito de estudar com disciplina, longe do crime e da politicagem”.
Segundo ele, o sucesso dessas escolas incomoda justamente por dar às periferias uma chance real de transformação. “Esses colégios não formam militantes. Formam cidadãos.”
Enquanto a disputa ideológica se intensifica, milhões de famílias continuam apostando nas escolas cívico-militares como uma oportunidade de futuro para seus filhos. Em estados como Paraná, Goiás, São Paulo e Roraima, o modelo resiste — e os números seguem contando uma história diferente da narrativa que tenta enterrá-lo.