Esposa de Moraes admite uso de jatinhos ligados a banqueiro e caso levanta questionamentos

Esposa de Moraes admite uso de jatinhos ligados a banqueiro e caso levanta questionamentos

Escritório de Viviane Barci confirma voos em aeronaves de empresa associada a Daniel Vorcaro e amplia debate sobre transparência no STF

A advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, confirmou que seu escritório utilizou serviços de táxi aéreo da empresa Prime Aviation, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ao longo de 2025. A revelação adiciona novos elementos a um caso que já vinha gerando forte repercussão.

Como ocorreram as viagens

Segundo nota oficial do escritório Barci de Moraes, os voos foram contratados de forma regular e pagos por meio de compensação de honorários advocatícios. A banca afirmou ainda que utiliza diferentes empresas de táxi aéreo e que a Prime Aviation foi apenas uma das prestadoras de serviço.

Dados obtidos por meio de registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) indicam que algumas dessas viagens ocorreram entre maio e outubro de 2025. Em um dos casos, o embarque no terminal executivo de Brasília foi seguido, poucos minutos depois, pela decolagem de uma aeronave da empresa com destino a São Paulo.

Negativas e versões

O gabinete de Alexandre de Moraes afirmou que o ministro não viajou em aeronaves pertencentes diretamente a Daniel Vorcaro nem manteve contato com o empresário ou outros nomes ligados ao caso.

Já o escritório de Viviane Barci reforçou que não há relação pessoal com os proprietários das aeronaves e que as contratações seguem critérios técnicos e operacionais.

A empresa Prime Aviation, por sua vez, declarou que não divulga informações sobre clientes, citando cláusulas contratuais e a legislação de proteção de dados.

Valores e ligações empresariais

O caso ganha ainda mais peso diante de informações de que o escritório da advogada teria recebido valores expressivos por serviços prestados a empresas ligadas ao grupo financeiro de Vorcaro. Documentos apontam cifras milionárias ao longo de menos de dois anos, embora os detalhes completos dessas operações não tenham sido divulgados publicamente.

Além disso, investigações sobre o Banco Master — cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central em 2025 — aumentam o nível de atenção sobre qualquer relação envolvendo empresas do grupo.

Críticas e repercussão

As revelações intensificam críticas sobre possíveis conflitos de interesse e levantam dúvidas sobre a postura de figuras centrais do Judiciário. Para analistas, o caso expõe uma zona sensível entre relações privadas e responsabilidades públicas.

Há também um forte questionamento sobre a coerência institucional, já que decisões judiciais frequentemente cobram rigor e transparência de outros poderes, enquanto episódios como esse colocam ministros sob escrutínio.

Pressão por transparência

Diante da repercussão, cresce a cobrança por esclarecimentos mais detalhados. A ausência de respostas objetivas sobre os critérios das contratações, os valores envolvidos e a frequência das viagens alimenta a desconfiança.

Em um cenário onde a credibilidade das instituições é constantemente testada, casos como este reforçam a necessidade de maior transparência e limites claros entre o público e o privado — especialmente quando envolvem autoridades de alto escalão do país.

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