
EUA acusam Moraes de abusos e impõem sanção por violação de direitos humanos
Tesouro norte-americano diz que ministro do STF lidera censura, prisões arbitrárias e perseguição política contra brasileiros e americanos
Washington mira Moraes: sanção acusa ministro de atropelar liberdades e usar cargo para perseguição
O governo dos Estados Unidos subiu o tom contra o Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira (30) ao aplicar sanções duras contra o ministro Alexandre de Moraes, por meio da Lei Magnitsky. A medida acusa Moraes de liderar uma “campanha opressiva” contra opositores políticos, veículos de imprensa, plataformas digitais e até empresas americanas — com práticas que, segundo o Tesouro, violam direitos humanos fundamentais.
“Moraes se colocou como juiz e executor de uma verdadeira caça às bruxas. Usou seu poder para impor censura, ordenar prisões arbitrárias e sufocar liberdades essenciais — inclusive de cidadãos e empresas dos EUA”, afirmou Scott Bessent, secretário do Tesouro, em comunicado oficial.
A nota oficial do Departamento do Tesouro ainda destaca que o ministro tem atuado com “autoridade imensa” nas investigações conduzidas pelo STF, especialmente contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os americanos, suas ações incluem prisões preventivas prolongadas, sem apresentação formal de acusações — o que, para eles, fere a liberdade de expressão e o devido processo legal.
Bloqueio de bens e veto a transações com americanos
Com a aplicação da sanção, todos os bens e ativos de Alexandre de Moraes em território norte-americano estão bloqueados. Além disso, qualquer empresa ou cidadão dos EUA está proibido de realizar transações financeiras com ele, direta ou indiretamente. O nome de Moraes foi incluído na lista da OFAC — a Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA.
A ofensiva foi impulsionada por articulações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março justamente para pressionar o governo Trump por medidas contra o Judiciário brasileiro.
Sanção histórica: STF no centro da mira internacional
É a primeira vez que um ministro do STF entra na lista de sanções da Lei Magnitsky — legislação criada em 2012 para punir agentes públicos envolvidos em corrupção ou violação de direitos humanos em qualquer lugar do mundo. A decisão expõe uma crise sem precedentes entre Brasil e EUA e gera uma onda de reações políticas no país.
O caso acirra ainda mais o embate entre o bolsonarismo e o Judiciário, agora com reflexos internacionais. Para os EUA, Moraes ultrapassou o limite institucional. Para seus defensores, trata-se de uma reação política que interfere na soberania da Justiça brasileira.
De qualquer forma, o recado foi dado — e a crise, oficialmente internacionalizada.