EUA colocam Maduro na lista negra do terrorismo

EUA colocam Maduro na lista negra do terrorismo

Caracas reage com fúria e acusa Washington de tentar derrubar o governo venezuelano

Os Estados Unidos oficializaram, nesta segunda-feira (24/11), a inclusão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de parte da cúpula militar e política do país na lista de organizações terroristas estrangeiras. A decisão, anunciada previamente pelo Departamento de Estado, passou a valer hoje e acendeu mais um capítulo de tensão entre Washington e Caracas.

A resposta venezuelana veio rápida e carregada de indignação. Em comunicado duro, o Ministério das Relações Exteriores classificou a medida como “absurda”, acusando os EUA de inventarem mais uma história fantasiosa para justificar uma possível intervenção. Segundo o texto, o chamado “Cartel de Los Soles” — grupo citado pelos americanos — simplesmente “não existe”, e tratá-lo como organização terrorista seria uma “farsa grotesca”.

O governo venezuelano acusa Washington de repetir “a velha cartilha de mudança de regime”, usada há décadas para pressionar governos considerados hostis pelos Estados Unidos. Ainda de acordo com Caracas, a iniciativa norte-americana está fadada ao fracasso, assim como todas as sanções e ofensivas anteriores.

Mesmo criticando o desgaste causado pela acusação, o governo de Maduro afirmou que responde às “calúnias” porque entende a gravidade da situação. Disse ainda que o povo venezuelano segue unido, em pleno período de festividades de fim de ano, e comprometido em defender “a paz e os interesses da República”.

O que é o Cartel de Los Soles

A decisão dos EUA cita o chamado Cartel de Los Soles, um grupo criminoso que, segundo investigações norte-americanas, seria formado por militares e altos funcionários venezuelanos e ligado ao tráfico internacional de drogas. Washington alega que esse suposto cartel teria participação direta no financiamento de organizações criminosas na América Latina.

Com a nova classificação, medidas mais duras podem ser adotadas, como impedir a entrada de membros do cartel nos Estados Unidos e criminalizar qualquer apoio logístico ou financeiro à organização — o que inclui armas, recursos ou serviços.

A crise diplomática entre os dois países, que já era tensa, agora entra em um novo patamar de confronto político e retórico.

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