
EUA elevam tom contra Moraes e alertam aliados: “Estamos monitorando”
Em nota traduzida pela embaixada americana no Brasil, Washington acusa Moraes de censura, impõe sanções com base na Lei Magnitsky e avisa que ministros e autoridades que o apoiarem também podem ser punidos
A crise entre o governo dos Estados Unidos e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou um novo e preocupante capítulo nesta quinta-feira (7/8). Em publicação feita nas redes sociais em português, a Embaixada dos EUA no Brasil endossou, sem rodeios, as declarações duras do subsecretário de Diplomacia Pública americano, Darren Beattie, contra Moraes e seus aliados.
No comunicado, os norte-americanos chamam Moraes de “o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores”, e afirmam que ele é responsável por “flagrantes violações dos direitos humanos”. A nota também lembra que Moraes foi alvo de sanções com base na Lei Magnitsky, legislação americana que congela bens, bloqueia contas e proíbe entrada nos EUA de indivíduos acusados de abusos e perseguições.
Aliados na mira
O aviso, no entanto, não se limita ao ministro do STF. Os EUA deixam claro que estão de olho também em qualquer autoridade brasileira — seja do Judiciário, da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República — que apoie ou facilite as ações atribuídas a Moraes. “Estamos monitorando a situação de perto”, diz o texto, num tom direto que não deixa espaço para dúvidas.
Washington também sinalizou que poderá ampliar o cerco: além de já ter imposto restrições contra Moraes, incluindo sanções a familiares como Viviane Barci de Moraes, o governo dos EUA ameaça estender punições a outros ministros do Supremo e até mesmo a políticos que tenham atuação alinhada à conduta que consideram abusiva.
Pressão diplomática em alta
As críticas têm como pano de fundo a prisão domiciliar imposta a Jair Bolsonaro e as restrições que ele vem enfrentando. Para os EUA, essas medidas representam opressão política e abuso de autoridade — o que motivou não só as sanções como também esse recado público de retaliação.
O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, que é ligado diretamente ao Departamento de Estado norte-americano, reforçou o alerta e disse que irá responsabilizar “todos aqueles que forem cúmplices” das ações sancionadas.
Consequências em cascata
Além das implicações diplomáticas, a situação pode escalar para o campo econômico. Entre as possibilidades cogitadas por Washington estão o aumento de tarifas contra o Brasil, a revogação de vistos de magistrados e autoridades brasileiras, e novas inclusões na lista da Lei Magnitsky.
O recado é claro: os EUA não apenas tomaram posição, como estão dispostos a agir contra qualquer um que considere estar colaborando com práticas autoritárias dentro do Judiciário brasileiro.