
EUA voltam a criticar Moraes e dizem que condenação de Bolsonaro é “perseguição e censura”
Autoridades americanas endurecem o tom após decisão do STF e afirmam que o Brasil vive “um dos momentos mais sombrios em dois séculos” nas relações bilaterais.
Os Estados Unidos voltaram a reagir à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (11), no processo que investigava tentativa de golpe de Estado.
No X (antigo Twitter), o subsecretário de Diplomacia Pública norte-americano, Darren Beattie, classificou a decisão como “mais um capítulo do complexo de perseguição e censura” conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “violador de direitos humanos sancionado”. A mensagem foi amplamente repercutida, inclusive pela Embaixada dos EUA no Brasil, elevando ainda mais a tensão diplomática.
Beattie afirmou ainda que os Estados Unidos tratarão o caso com a “máxima seriedade”.
A pressão americana contra Moraes não é de hoje. Em julho, o ministro foi incluído na lista de sanções do Tesouro dos EUA pela chamada Lei Global Magnitsky, que permite punições econômicas a acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos.
A condenação de Bolsonaro também mexeu com a Casa Branca. O presidente Donald Trump classificou o julgamento como “terrível” e disse estar “muito descontente”. Segundo ele, a decisão é “muito ruim para o Brasil”. Trump ainda voltou a elogiar Bolsonaro, chamando-o de “um bom homem, íntegro e notável”.
O secretário de Estado, Marco Rubio, foi mais duro: declarou que os EUA responderão “adequadamente” ao que chamou de “caça às bruxas”. Já o subsecretário Christopher Landau afirmou que a relação entre os dois países chegou ao “ponto mais sombrio em dois séculos” e que não vê saída para a crise enquanto o futuro bilateral estiver “nas mãos do ministro Moraes”.
Enquanto isso, a defesa de Bolsonaro avalia acionar organismos internacionais para tentar reverter a condenação.