
“Excelência, quero jantar”: advogado de Heleno explica pedido inusitado a Moraes
Defesa do general justificou apelo bem-humorado ao STF para adiar interrogatórios da ação sobre a tentativa de golpe
O advogado Matheus Milanez, que representa o general Augusto Heleno, contou nesta quarta-feira (27/8) por que pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, alguns minutos de atraso no início dos interrogatórios realizados em junho, dentro da ação penal que investiga a trama golpista de 2022.
Segundo Milanez, o pedido – que acabou arrancando risadas do ministro – não tinha nada de extraordinário, apenas um detalhe humano: ele queria tempo para jantar.
“Nós já estávamos desde a manhã trabalhando, e a sessão se estendeu até a noite. Eu só tinha tomado café da manhã. Pedi, de forma pontual, para começar um pouco mais tarde, porque precisava jantar e depois levar o general para casa. Não era nada que fosse atrasar o processo”, disse.
Na audiência de 9 de junho, o advogado surpreendeu ao afirmar diante da Primeira Turma do STF:
— “Excelência, são quase 20h. Amanhã teremos nova sessão às 9h, e precisamos estar aqui meia hora antes. Peço essa gentileza porque, no mínimo, eu preciso jantar. Só tomei café da manhã hoje.”
Moraes entrou na brincadeira:
— “Imagina eu, doutor. Mas vamos terminar logo, assim o senhor pode ter um belo brunch na quarta, jantar no Dia dos Namorados, e, na sexta, comemorar o Dia de Santo Antônio numa quermesse. É só acelerar o carro, sem levar multa, claro.”
O clima leve quebrou a tensão do julgamento. Milanez explicou que o interrogatório é um ambiente pesado, e a interação descontraída ajudou a tornar o momento menos rígido:
“O ministro tem um humor leve. Isso gera distensão, e é positivo.”
No dia seguinte, Moraes retomou a sessão brincando com o advogado:
— “Faço votos de que tenha jantado ontem, doutor.”
Mais uma vez, os presentes caíram na risada.
Heleno, que foi ministro-chefe do GSI no governo Bolsonaro, é um dos réus do processo. Ele responde, junto a outros militares e aliados do ex-presidente, por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, dano ao patrimônio da União e outros crimes graves, segundo a PGR.
Apesar da gravidade do caso, o episódio acabou ficando marcado pelo pedido insólito do advogado — uma pausa para jantar no meio de um processo que discute nada menos do que a tentativa de ruptura democrática no Brasil.