Família de Paulo Maluf fará acordo para devolver R$ 210 milhões desviados da Prefeitura de SP

Família de Paulo Maluf fará acordo para devolver R$ 210 milhões desviados da Prefeitura de SP

Mesmo com a devolução parcial, ações civis e ordens de prisão contra Maluf e seus familiares seguem em andamento no Brasil, EUA, Suíça e França

A família do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, firmou um acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para devolver R$ 210 milhões aos cofres públicos. A negociação envolve os quatro filhos do político, uma ex-nora, um ex-genro, uma empresa offshore no Uruguai e um banco brasileiro que adquiriu ações da Eucatex, empresa ligada ao clã Maluf.

O valor corresponde a parte dos desvios apurados durante a gestão de Maluf, especialmente nas obras do Túnel Ayrton Senna e da atual Avenida Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada). O acordo, chamado de Acordo de Não Persecução Civil (ANPC), foi fechado com a Promotoria do Patrimônio Público e a Procuradoria do Município.

Apesar do acerto, o Ministério Público deixou claro que as ações civis continuam contra Maluf, sua esposa e outras empresas acusadas de superfaturamento e corrupção.

Segundo o promotor Silvio Marques, o MP e a Procuradoria já conseguiram recuperar mais de R$ 800 milhões em valores desviados por meio de acordos semelhantes. Ainda assim, as investigações apontam que os desvios superaram os US$ 300 milhões à época.

Conflitos internacionais e dívidas milionárias

Na esfera criminal, Paulo Maluf já foi condenado pelo STF a quase 8 anos de prisão. Ele também tem uma ordem de prisão expedida desde 2007 pela promotoria de Nova York, nos EUA, relacionada à lavagem de dinheiro público.

Na França, Maluf e sua esposa foram sentenciados a três anos de prisão e multados por corrupção. Na Suíça, cerca de R$ 80 milhões foram repatriados ao Brasil após decisão definitiva do Supremo Tribunal daquele país.

Além disso, a Justiça de São Paulo determinou a penhora de 19 imóveis de Maluf, incluindo uma mansão no Guarujá, para garantir o pagamento de uma dívida de R$ 417 milhões, resultado de um processo iniciado em 1993 e com sentença definitiva desde 2007.

O que diz a defesa

A família de Maluf se pronunciou afirmando que o acordo demonstra uma atitude de cooperação e resolve disputas judiciais que se arrastavam há anos. Segundo os advogados, o pacto representa uma solução legal que evita a imprevisibilidade de um longo julgamento.

O banco BTG Pactual, envolvido na negociação por ter adquirido parte da Eucatex, informou que ampliará sua participação na empresa, sem alterar o controle acionário.

Apesar dos acertos financeiros, o passado de Paulo Maluf segue assombrando os tribunais em diversos países. E, mesmo fora da vida pública, seu nome ainda é símbolo de um modelo de corrupção que marcou gerações no Brasil.

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