Favela do Moinho

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Alessandra Moja: líder comunitária ou braço do crime?

Alessandra Moja Cunha, presa nesta segunda-feira (8/9) durante a Operação Sharpe, na Favela do Moinho, em São Paulo, se apresentava como uma liderança comunitária, mas atuava para atender aos interesses do irmão, Leonardo Moja, conhecido como “Léo do Moinho” e apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região central da cidade.

Presidente de uma ONG que se dizia representante das famílias da favela, Alessandra também foi alvo de investigações após a polícia encontrar drogas — maconha, cocaína e crack — em suas dependências, além de já ter sido condenada por homicídio em crime ocorrido em 2005.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Alessandra cumpria ordens de seu irmão e coordenava atividades ilícitas, como extorsões de moradores que aceitavam se mudar para apartamentos do programa habitacional do governo estadual. Algumas famílias relataram cobranças que chegavam a R$ 100 mil, muitas vezes sob ameaça direta: “Eu vou atrás de você e vou te achar”, contaram ex-moradores à reportagem.

O irmão de Alessandra, Léo do Moinho, já condenado por tráfico e homicídio, controlava o tráfico na Cracolândia e monitorava sistemas de comunicação da polícia com ajuda de guardas metropolitanos. Com sua prisão, a facção passou a pressionar os moradores para manterem os pagamentos de propinas e aluguéis, reforçando o poder sobre a comunidade.

Mesmo diante das investigações, Alessandra e sua filha Yasmin Moja participaram de eventos oficiais: subiram ao palco durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho para celebrar o lançamento do programa habitacional, que prevê crédito de R$ 250 mil por família para a compra de casas novas, beneficiando cerca de 900 famílias.

O MPSP aponta que o PCC teria aparelhado movimentos sociais ligados à Favela do Moinho, incluindo a Associação de Moradores, para proteger a comunidade da ação policial. O objetivo das autoridades é responsabilizar todos os envolvidos, enquanto famílias tentam sair da favela sob clima de medo e vigilância constante, muitas vezes custeando por conta própria a mudança para as habitações sociais.

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