
Flávio Bolsonaro defende ajustes no projeto de dosimetria para não beneficiar “marginais perigosos”
Subtítulo: Senador afirma que projeto aprovado na Câmara precisa ser corrigido antes da votação no Senado; visita ao pai na PF também serviu para atualizar sobre saúde de Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou nesta terça-feira (16) a necessidade de ajustes no projeto de lei da dosimetria, garantindo que a redução de penas alcance apenas os réus envolvidos nos atos de 8 de janeiro e não “marginais perigosos”. O texto, já aprovado pela Câmara, segue para votação no Senado ainda esta semana. Segundo Flávio, o projeto conta com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, que será beneficiado diretamente.
“O projeto tem um problema que precisa ser corrigido. Estamos estudando alterações para evitar que pessoas perigosas se beneficiem por conta da votação. É preciso aprimorar o texto”, declarou o senador após visitar seu pai na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Flávio também criticou a falta de transparência durante a votação na Câmara, que, segundo ele, fez com que muitos deputados aprovassem o texto sem compreender seu teor. Ele espera que o Senado conclua a análise ainda antes do recesso, mantendo contato constante com o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), responsável pelas articulações.
Saúde de Bolsonaro
Durante a visita, Flávio atualizou sobre a condição física do ex-presidente, que passou por exames recentes e descobriu hérnias em ambas as pernas. O senador criticou o ministro do STF Alexandre de Moraes por atrasar a autorização da cirurgia.
“Se o intestino pressiona a hérnia, pode haver estrangulamento, obrigando uma cirurgia muito mais agressiva. É uma emergência real”, disse Flávio, ressaltando que Bolsonaro estava mais animado e sem soluço durante o encontro.
Pré-candidatura à Presidência
Sobre a disputa eleitoral de 2026, Flávio negou abrir mão da pré-candidatura à Presidência para qualquer outro nome que não seja o de seu pai, atualmente preso e inelegível. Ele afirmou que buscará apoio político, mesmo que em um segundo momento, caso não consiga adesão imediata do Centrão.
“Meu nome está colocado. Só abriria mão se fosse para Jair Bolsonaro, e ele precisa estar livre e nas urnas, o que não é o cenário hoje. Quero os partidos comigo desde o início, mas se não for possível, certamente teremos união em um segundo momento”, afirmou.
Visitas separadas à PF
Na mesma terça-feira, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também visitou o ex-presidente na PF, sem falar à imprensa. As visitas são autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, com tempo máximo de 30 minutos, realizados separadamente.
Flávio Bolsonaro reafirma, assim, seu papel como porta-voz político do pai, defendendo mudanças na legislação que atendam apenas os réus ligados diretamente aos atos de 8 de janeiro, enquanto denuncia atrasos no cuidado à saúde de Bolsonaro.