
Flávio Bolsonaro envia recado ao mercado e tenta se distanciar da gestão do pai
Pré-candidato à Presidência busca reposicionar imagem econômica, reforçando legado de Paulo Guedes e sinalizando compromisso com liberalismo fiscal
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chamou atenção ao afirmar que pretende seguir os caminhos traçados pelo ex-ministro da Economia, Paulo Guedes. Analistas interpretam o movimento como uma tentativa estratégica de reposicionar sua imagem política, especialmente junto ao mercado financeiro, que recebeu com cautela o anúncio de sua candidatura.
Segundo o cientista político Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, ao citar Guedes, Flávio enviou um recado “direto e urgente” ao mercado, mostrando disposição para retomar políticas de responsabilidade fiscal, previsibilidade econômica e reformas estruturais. “É um gesto que busca transmitir confiabilidade imediata a setores-chave, reforçando que uma eventual gestão sua seria alinhada à agenda de austeridade e liberalismo econômico”, destacou Coimbra.
O movimento também visa conquistar eleitores e grupos liberais, como empresários e setores produtivos, que valorizam eficiência do mercado e rejeitam intervencionismo estatal. Ao se apoiar no legado de Guedes, Flávio sinaliza distanciamento da condução econômica do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcada por expansão de gastos e políticas consideradas patrimonialistas pelo mercado.
O economista César Bergo, da Universidade de Brasília, observa que a estratégia de Flávio recupera pilares centrais do período Guedes, como redução do tamanho do Estado, avanço de privatizações, resistência a aumentos de tributos e centralização de decisões fiscais no Ministério da Economia. “Mencionar Guedes ativa uma memória positiva de agenda liberal que contrasta com o cenário atual de gastos crescentes e elevação de impostos”, afirmou.
Apesar da sinalização, especialistas apontam que o mercado ainda avalia com cautela a candidatura de Flávio, considerando-o um nome menos competitivo para 2026. A agenda econômica pode agradar investidores, mas a percepção sobre sua capacidade eleitoral segue gerando volatilidade e incerteza.
A iniciativa de Flávio Bolsonaro demonstra, portanto, uma tentativa clara de reposicionar sua imagem, mostrar afinidade com o liberalismo econômico e distanciar-se de aspectos criticados da gestão de seu pai, enquanto se prepara para a corrida presidencial de 2026.