
Flávio Bolsonaro estreia agenda internacional em Israel como pré-candidato ao Planalto
Senador busca projeção externa e tenta consolidar nome na direita, apesar de resistências de partidos do centro e lideranças aliadas
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fará uma viagem a Israel em sua primeira agenda internacional desde que foi lançado como pré-candidato à Presidência da República. A iniciativa marca um passo simbólico na tentativa de se apresentar como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, que o escolheu oficialmente no início de dezembro para liderar o projeto eleitoral da família.
Flávio e o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, foram convidados para participar da Conferência Anual de Combate ao Antissemitismo, prevista para os dias 26 e 27 de janeiro, em Jerusalém. O evento reúne autoridades e representantes da direita conservadora internacional e é visto como uma oportunidade de ampliar visibilidade fora do Brasil.
A expectativa do entorno do senador é que a viagem ajude a reforçar sua imagem junto ao eleitorado conservador global. O ministro israelense da Diáspora e Combate ao Antissemitismo, Amichai Chikli, divulgou a lista de palestrantes do encontro e descreveu os participantes como “vozes de luz em tempos difíceis”. Flávio aparece como senador eleito pelo Rio de Janeiro e afirmou, nas redes sociais, sentir-se honrado com o convite.
Em declaração pública, o parlamentar destacou a relação histórica entre Brasil e Israel e reafirmou seu apoio à comunidade judaica, defendendo o combate irrestrito ao antissemitismo, à intolerância e ao discurso de ódio.
Apesar do movimento internacional, Flávio ainda enfrenta resistências internas. Lideranças do Centrão, setores do empresariado e até aliados históricos da família Bolsonaro questionam sua capacidade de unificar a direita. O pastor Silas Malafaia, por exemplo, já afirmou publicamente que considera mais viável uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tendo Michelle Bolsonaro como vice.
Pesquisas recentes que colocam Flávio à frente de outros nomes da direita deram novo fôlego à pré-candidatura, mas não foram suficientes para garantir apoio formal de partidos como PP, União Brasil e Republicanos. Dirigentes dessas legendas afirmam que a decisão foi tomada de forma unilateral pelo PL, sem articulação prévia.
Flávio oficializou sua pré-candidatura no dia 5 de dezembro e tem insistido que o projeto é definitivo. Em declarações recentes, afirmou que sua candidatura é “irreversível” e que seu nome já demonstra capacidade de tração eleitoral.
Nos bastidores, aliados como o vereador Carlos Bolsonaro saíram em defesa do irmão e aproveitaram o impasse para criticar o Centrão, acusando os partidos de falta de compromisso com pautas como liberdade econômica e autonomia do cidadão.
Enquanto isso, líderes do PP e do União Brasil reforçam que permanecem livres para apoiar outros nomes em 2026, inclusive alternativas fora do campo bolsonarista. A avaliação predominante nesses grupos é que uma candidatura presidencial exige construção coletiva, articulação ampla e um projeto claro — pontos que, segundo eles, ainda não estão consolidados no movimento liderado por Flávio Bolsonaro.