
Flávio Bolsonaro pressiona Alcolumbre e exige impeachment de Moraes após prisão do pai
Senador acusa o presidente do Senado de omissão e diz que a Casa está falhando em proteger seus membros enquanto o STF “passa por cima das prerrogativas parlamentares”.
O clima em Brasília esquentou depois que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi à público cobrar, sem rodeios, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que dê andamento a um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O estopim foi a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, determinada por Moraes.
“O Brasil está essa bagunça porque o Senado Federal não está fazendo sua parte”, disparou Flávio. “Ele (Moraes) acabou com as prerrogativas parlamentares. Meu presidente Davi Alcolumbre, o que o senhor vai fazer em relação a isso? Eu sou senador da República e quero a proteção da minha Casa, assim como o senhor também foi eleito para representá-la.”
Flávio criticou duramente o que chamou de “blindagem” de ministros do STF, comparando a postura de Alcolumbre à do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, acusado por bolsonaristas de travar qualquer tentativa de afastar Moraes. “Não é mais possível esse tipo de conchavo. Moraes descumpriu a lei de impeachment e já deveria estar respondendo por isso há muito tempo.”
O Senado é a instância responsável por analisar pedidos de afastamento de ministros do Supremo, mas, desde o governo Bolsonaro, todas as investidas contra Moraes naufragaram antes de chegar ao plenário. Até a noite desta terça-feira (4), Alcolumbre não havia se pronunciado sobre o assunto nem sobre a prisão do ex-presidente.
O próprio Flávio acabou virando peça-chave nessa história. Foi um vídeo postado por ele nas redes sociais que levou Moraes a endurecer as medidas contra Bolsonaro. A gravação mostrava o ex-presidente, por telefone, conversando com apoiadores durante os protestos do último domingo.
Para Moraes, o episódio configurou quebra clara das medidas cautelares que já impediam Bolsonaro de usar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. “O flagrante desrespeito às medidas cautelares foi tão evidente que o próprio filho do réu, o senador Flávio Bolsonaro, retirou a postagem para tentar encobrir a infração”, registrou o ministro na decisão.
Agora, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, podendo receber apenas advogados e pessoas previamente autorizadas pelo STF, enquanto a pressão política sobre o Senado cresce.