
Flávio Bolsonaro retorna ao Brasil, visita o pai e assume articulação para reorganizar o PL
Pré-candidato à Presidência intensifica negociações nos estados, define chapas e tenta pacificar disputas internas no partido
Após viagens ao exterior, Flávio Bolsonaro volta ao Brasil, visita Jair Bolsonaro e lidera articulações para reorganizar o PL, fortalecer alianças estaduais e estruturar sua pré-candidatura ao Planalto.
De volta ao Brasil após uma série de compromissos internacionais, o senador Flávio Bolsonaro retomou com força total a agenda política nacional. Pré-candidato à Presidência da República, ele tem se dedicado a reorganizar o Partido Liberal (PL), consolidar palanques regionais e reduzir conflitos internos que ameaçam a unidade da sigla.
Nos últimos dias, Flávio intensificou reuniões com lideranças estaduais e parlamentares com o objetivo de fechar o desenho das candidaturas do partido nos estados. A estratégia é chegar ao mês de março com chapas definidas e uma agenda pública robusta para o anúncio de pré-candidaturas.
Com o aval direto de Jair Bolsonaro, o senador passou a atuar como principal articulador político do campo bolsonarista. Entre terça e quarta-feira, ele anunciou soluções para disputas internas consideradas sensíveis, como no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.
No Rio, Flávio venceu o embate com o governador Cláudio Castro e garantiu a indicação do secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, como pré-candidato ao Palácio Guanabara. Também comunicou que o senador Carlos Portinho não terá espaço para disputar a reeleição pelo partido.
Já em Santa Catarina, Flávio anunciou uma chapa exclusivamente do PL para o Senado, formada por Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro, seu irmão. A decisão contrariou planos do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e evidenciou a força de Flávio nas decisões estratégicas do partido.
Visita ao pai e discurso por união
Na quarta-feira, Flávio visitou o pai no Complexo da Papuda, onde Jair Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. Horas depois, reuniu deputados e senadores do PL para cobrar união em torno de sua pré-candidatura. O encontro foi interpretado por aliados como um movimento de alinhamento interno e fortalecimento do projeto nacional.
Durante a reunião, o senador apresentou um panorama das chapas já definidas nos estados e pediu compreensão diante de possíveis insatisfações locais. Segundo relatos, Flávio destacou que interesses individuais precisam ficar em segundo plano diante do objetivo maior de viabilizar uma candidatura competitiva ao Planalto.
Construção de palanques e viagens pelo país
Anotações internas obtidas por aliados mostram que Flávio acompanha pessoalmente a montagem dos palanques estaduais, incluindo negociações em estados estratégicos como São Paulo, Bahia e Ceará. Ele deve se reunir com o governador Tarcísio de Freitas para discutir alianças no maior colégio eleitoral do país.
A partir de março, o senador também deve intensificar viagens pelo Brasil. Estão previstas agendas na Paraíba, no Rio Grande do Sul e participação em atos políticos em São Paulo. O objetivo é dar visibilidade à pré-candidatura e ampliar o diálogo com partidos de centro, abrindo espaço para alianças locais.
Bombeiro de crises no bolsonarismo
Além da articulação eleitoral, Flávio tem atuado para conter desgastes internos no bolsonarismo. Ele buscou minimizar atritos envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira, reforçando publicamente a necessidade de coesão entre aliados.
Lançado oficialmente como pré-candidato pelo pai ainda em 2025, Flávio Bolsonaro tenta se firmar como principal herdeiro político do bolsonarismo. A montagem de palanques fortes nos estados, especialmente no Nordeste, é vista como peça-chave para dar musculatura à sua campanha presidencial em 2026.