
França nas ruas: milhares protestam contra austeridade e instabilidade política
Novo primeiro-ministro de Macron enfrenta manifestações e bloqueios enquanto população se levanta contra cortes e decisões do governo
Quase 30 mil pessoas foram às ruas de diversas cidades da França nesta quarta-feira (11/9) para protestar contra as medidas de austeridade e a instabilidade política que assola o país. Embora os organizadores esperassem cerca de 100 mil participantes, a presença de manifestantes ainda foi expressiva, acompanhada de bloqueios, incêndios e confrontos com a polícia.
O país contou com reforço de 80 mil agentes de segurança, sendo seis mil apenas em Paris. Ao todo, houve quase 300 detenções, com 170 na capital, em 430 ações de protesto distribuídas por 270 manifestações e 160 bloqueios, incluindo importantes autoestradas em Marselha, Montpellier, Nantes e Lyon.
O movimento “Bloqueiem tudo”, surgido nas redes sociais, manifesta a insatisfação popular com Emmanuel Macron e a sequência de governos instáveis, culminando na nomeação de Sébastien Lecornu como sétimo primeiro-ministro do presidente em apenas um ano. “Isto é a mesma merd*, é o mesmo, Macron é o problema, não os ministros. Ele tem de ir”, disse Fred, sindicalista da CGT, durante protesto em Paris.
Estudantes e jovens também marcaram presença. “Esperava um primeiro-ministro de esquerda ou uma dissolução do Parlamento, mas não. É frustrante”, comentou Lisa Venier, de 18 anos.
O movimento já é comparado aos protestos dos ‘Coletes Amarelos’ de 2018, que surgiram contra o aumento do preço dos combustíveis e se estenderam por meses, unindo diferentes frentes políticas. Analistas apontam que a nova mobilização começou com grupos de extrema-direita, mas rapidamente atraiu esquerda e extrema-esquerda.
O desafio de Lecornu será equilibrar o Orçamento do Estado, após a tentativa frustrada do governo Bayrou de cortar 44 bilhões de euros em 2026 para reduzir o déficit. Com apenas 194 votos de confiança em 364 deputados, o Parlamento francês segue profundamente dividido desde as eleições legislativas de 2024.
O novo primeiro-ministro vai agora negociar com as forças políticas para aprovar o próximo orçamento e restaurar alguma estabilidade, enquanto Macron tenta convencer as agências de rating internacionais de que a França retomará o caminho financeiro seguro. A Fitch divulgará sua avaliação nesta sexta-feira, seguida pela Moody’s e S&P Global nos próximos meses.