
Lula se prepara para viajar aos EUA em meio a tensão com Trump
Presidente brasileiro participará da Assembleia-Geral da ONU e reforça defesa da democracia após sanções americanas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para viajar a Nova York para sua terceira participação na Assembleia-Geral da ONU durante seu atual mandato. O evento, previsto para a próxima semana, é considerado uma prioridade na agenda internacional do mandatário, que historicamente marca presença em todas as Assembleias, exceto em 2010, quando enviou o então chanceler Celso Amorim por estar concentrado na campanha presidencial de Dilma Rousseff.
Neste ano, Lula chegará à reunião em 23 de setembro em um momento delicado nas relações com os Estados Unidos. O governo de Donald Trump aplicou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, como retaliação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Além disso, ministros do STF tiveram vistos cassados e o ministro Alexandre de Moraes sofreu sanções pela Lei Magnitsky, que bloqueia contas e transações com entidades americanas.
Em artigo publicado no New York Times, Lula reafirmou que o Brasil está aberto a negociações que beneficiem ambos os países, mas deixou claro que “a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta”. O presidente também rebateu as alegações de que a condenação de Bolsonaro seria uma “caça às bruxas”, destacando o papel do Supremo Tribunal Federal:
— “Tenho orgulho da decisão histórica do STF, que protege nossas instituições e o Estado Democrático de Direito”.
A visita de Lula também será marcada por compromissos relacionados à COP30, que ocorrerá em Belém, na Amazônia, em novembro. No dia 24, a ONU sediará a Cúpula do Clima, onde países devem apresentar suas propostas para reduzir emissões e se adaptar às mudanças climáticas, chamadas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas).
O discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, tradição do representante brasileiro, será novamente proferido por Lula, reforçando a posição do Brasil no cenário internacional em meio a tensões econômicas e políticas com os Estados Unidos.