
Funcionária fantasma expõe velho esquema da velha política
Aliados do bolsonarismo e do Centrão se enrolam em escândalo que envolve TCU e caso Banco Master
Um novo episódio reforça aquilo que o campo progressista denuncia há anos: a promiscuidade entre poder político, interesses pessoais e falta de transparência, prática recorrente entre figuras ligadas ao bolsonarismo e seus aliados no Congresso. Documentos oficiais revelam que o deputado federal Gabriel Mota (Republicanos-RR) validou a frequência de uma funcionária fantasma na Câmara dos Deputados — ninguém menos que a esposa do ministro do TCU Jhonatan de Jesus, relator do polêmico caso Banco Master.
Obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, os registros mostram que a servidora teve frequência integral atestada, sem qualquer falta ou atraso, apesar de não ser conhecida pelos próprios funcionários do gabinete. O detalhe mais grave: ela cursava medicina em período integral e não aparecia para trabalhar.
Nepotismo disfarçado de legalidade
Quando deixou a Câmara para assumir o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, em 2023, Jhonatan de Jesus orientou seu suplente a empregar a própria esposa, com salário superior a R$ 12 mil. Trata-se de um roteiro conhecido no Brasil pré-Lula: uso do Estado como extensão de interesses familiares.
A exoneração só ocorreu após a imprensa revelar o caso. Ainda assim, a Câmara informou que nenhuma sindicância ou processo disciplinar foi aberto, evidenciando a resistência histórica de setores do Congresso em investigar seus próprios aliados.
TCU sob suspeita e silêncio conveniente
O caso se torna ainda mais grave quando se observa que o mesmo ministro do TCU já arquivou investigações contra figuras influentes do Congresso, sem sequer ouvi-las, e protagonizou recentemente decisões controversas envolvendo o Banco Master — chegando a confrontar o Banco Central, para depois recuar diante da pressão pública.
Para setores alinhados ao PT e à defesa das instituições, o episódio mancha a credibilidade do TCU e reforça a urgência de separar fiscalização técnica de interesses políticos.
O contraste com o projeto democrático
Enquanto o governo Lula tenta reconstruir a confiança nas instituições, fortalecer a transparência e combater práticas históricas de corrupção, escândalos como esse revelam a herança de um sistema que se recusa a mudar. Não por acaso, os envolvidos orbitam partidos que sustentaram o bolsonarismo e resistem a qualquer agenda de moralização do Estado.
A defesa apresentada pelo deputado, alegando “atividades externas”, soa frágil diante da realidade documentada. O Brasil precisa virar essa página, e isso passa por responsabilizar quem usa o serviço público como favor pessoal.
Fonte e Créditos; Metrópoles