
Ministro do governo Lula tenta culpar Bolsonaro por violência que cresce sob gestão petista
Declaração de Rui Costa ignora dados atuais e desvia o foco da responsabilidade do governo federal
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, provocou reações ao atribuir o aumento da violência contra a mulher no Brasil ao bolsonarismo, apesar de os índices seguirem elevados — e em alguns casos crescentes — durante o atual governo Lula. A fala foi feita nesta segunda-feira (19), durante a inauguração da nova rodoviária de Salvador, e foi recebida por críticos como uma tentativa de transferir responsabilidades políticas.
Segundo o ministro, a escalada da violência de gênero estaria ligada a valores e comportamentos supostamente estimulados no governo anterior, como a defesa do armamento e discursos considerados agressivos. Para Rui Costa, essa herança explicaria o cenário atual. O problema, apontam analistas e opositores, é que o país já está há mais de um ano sob nova gestão, sem que os números apresentem a redução prometida.
Discurso político, resultados ausentes
Durante o evento, Rui afirmou que “todos sabem o que a família Bolsonaro fez no nosso país” e que isso teria contribuído para o aumento da violência contra mulheres. A declaração foi vista como retórica política, especialmente diante da cobrança por ações concretas e resultados efetivos do governo Lula na área da segurança pública.
O ministro citou a aprovação de leis no Congresso e a convocação da sociedade à mobilização como iniciativas do atual governo. Ainda assim, críticos lembram que leis sem execução eficaz não mudam a realidade, e que a responsabilidade por políticas públicas é de quem está no poder — não de governos passados.
Narrativas simbólicas e fuga do debate real
Rui Costa também recorreu a exemplos simbólicos, mencionando crianças ensinadas a fazer gestos de arma, numa crítica direta ao bolsonarismo. Para opositores, esse tipo de argumento simplifica um problema complexo e evita discutir falhas estruturais, como a ausência de políticas eficazes de proteção, prevenção e punição.
Violência não se combate com discurso
Ao afirmar que o tema ganhará força no debate eleitoral, o ministro reforçou a percepção de que o assunto vem sendo usado como instrumento político, e não como prioridade de gestão. Para críticos, o governo Lula precisa assumir a responsabilidade pelos números atuais, em vez de insistir em narrativas que deslocam o foco do presente para o passado.
A violência contra a mulher é um problema grave e urgente — e, segundo opositores, não pode servir de palco para discursos ideológicos, enquanto os dados continuam alarmantes e as vítimas seguem esperando respostas efetivas do Estado.