
Khamenei admite mortes em protestos no Irã pela primeira vez
Líder supremo reconhece repressão violenta e ataca Trump em meio à crise interna e tensão com os EUA
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu pela primeira vez que os protestos recentes no país resultaram em milhares de mortes. A declaração foi feita neste sábado (17), durante um discurso em que também atacou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de criminoso.
Segundo Khamenei, as manifestações foram incentivadas diretamente pelos Estados Unidos. Ele afirmou que Trump teria estimulado os protestos e prometido apoio, inclusive militar. Para o líder iraniano, Washington tenta interferir nos assuntos internos do país com o objetivo de controlar seus recursos políticos e econômicos.
“Consideramos o presidente dos Estados Unidos um criminoso, pelas vítimas, pelos danos causados e pelas acusações feitas contra a nação iraniana”, declarou Khamenei. Em sua fala, ele classificou os manifestantes como “instrumentos” dos EUA e os acusou de atacar mesquitas e centros educacionais. O líder afirmou ainda que, durante os confrontos, milhares de pessoas foram feridas e mortas.
Declarações ocorrem após sinal de recuo de Trump
As falas de Khamenei vieram um dia depois de Trump adotar um tom mais conciliador. O presidente norte-americano afirmou que o Irã teria suspendido o enforcamento de mais de 800 pessoas, dizendo respeitar a decisão. Trump, no entanto, não informou com quem teria conversado no governo iraniano para confirmar a suposta suspensão das execuções.
Dias antes, o presidente dos EUA havia endurecido o discurso, afirmando que “a ajuda estava a caminho” e que seu governo tomaria medidas caso a repressão aos protestos continuasse. As declarações mais recentes indicam um possível recuo na ameaça de uma ação militar direta.
Crise econômica impulsiona revolta popular
A onda de protestos no Irã teve início em meio a uma grave crise econômica. Desde o fim de dezembro, milhares de iranianos têm ido às ruas para protestar contra o aumento do custo de vida e o desemprego. Em apenas um ano, a moeda local, o rial, perdeu mais da metade de seu valor frente ao dólar, enquanto os preços dos alimentos dispararam, com alta média superior a 70%.
Na capital, Teerã, as manifestações começaram com uma greve de comerciantes no principal mercado da cidade e se espalharam rapidamente para outras regiões. Em vários episódios, os protestos terminaram em confrontos violentos com as forças de segurança.
Organizações de direitos humanos estimam que o número de mortos já ultrapassa 3.400 pessoas, embora o governo iraniano não divulgue dados oficiais detalhados.