Fux foi contra Moraes, mas STF mantém tornozeleira em Bolsonaro com ampla maioria

Fux foi contra Moraes, mas STF mantém tornozeleira em Bolsonaro com ampla maioria

Ministro foi voto isolado contra restrições ao ex-presidente; decisão reforça medidas como toque de recolher e veto ao uso de redes sociais

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 4 votos a 1, manter as duras medidas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, toque de recolher noturno e restrição ao uso de redes sociais. O único voto divergente foi do ministro Luiz Fux, que se opôs à decisão de Alexandre de Moraes. A votação aconteceu de forma virtual na Primeira Turma da Corte.

Mesmo com a tentativa de frear as restrições, Fux ficou isolado. O ministro Flávio Dino endossou o voto de Moraes com críticas contundentes ao que chamou de “sequestro da economia nacional”, acusando Bolsonaro de pressionar empresas e tentar manipular o STF para enterrar uma ação penal. Dino classificou os atos como algo sem precedentes até mesmo para estudos acadêmicos internacionais.

Cristiano Zanin, presidente da Turma, garantiu a maioria com seu voto favorável. A ministra Cármen Lúcia também acompanhou Moraes, destacando que tanto Jair quanto Eduardo Bolsonaro teriam agido para influenciar ilegalmente o andamento da ação penal em que o ex-presidente é réu — a de número 2.688, que trata da tentativa de golpe de Estado.

As medidas contra Bolsonaro foram decretadas após a Polícia Federal apontar ações articuladas entre ele e o filho Eduardo junto a autoridades americanas. Segundo os investigadores, a intenção seria provocar sanções contra autoridades brasileiras, alegando perseguição política para desacreditar o sistema de Justiça nacional.

Moraes foi direto em sua decisão: afirmou que Bolsonaro cometeu atos claros de coação, tentativa de obstrução da Justiça e atentado à soberania do país — o que justificaria, segundo o ministro, as medidas restritivas, inclusive a proibição de contato com diplomatas e a aproximação de embaixadas.

Além disso, na última sexta-feira, a Polícia Federal realizou buscas na casa de Bolsonaro, onde encontrou cerca de 14 mil dólares em espécie. A sede do PL também foi alvo da operação. A suspeita de que o ex-presidente poderia tentar deixar o país aumentou a pressão por medidas preventivas.

Agora, Bolsonaro terá de cumprir recolhimento domiciliar à noite durante a semana, e em tempo integral nos fins de semana e feriados. As restrições foram recomendadas pela PF e endossadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Enquanto isso, no STF, os embates continuam. Mas, ao menos por enquanto, a maioria da Corte parece alinhada em manter o cerco ao ex-presidente.

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