
Gastos bilionários com propaganda colocam governo Lula no centro de críticas e levantam suspeitas de incoerência
Enquanto discurso mira big techs, milhões são destinados às mesmas plataformas — decisão gera indignação e debate sobre prioridades
Um novo levantamento trouxe à tona um dado que tem provocado forte reação: o aumento expressivo dos gastos do governo Luiz Inácio Lula da Silva com publicidade institucional.
De acordo com os números divulgados, a gestão federal destinou cerca de R$ 1,5 bilhão em 2025 para campanhas de comunicação — o maior valor registrado desde 2017. E o que mais chama atenção não é apenas o montante, mas para onde esse dinheiro está indo.
Em meio a discursos duros contra grandes empresas de tecnologia, o próprio governo acabou direcionando mais de R$ 120 milhões justamente para plataformas como Google e Meta. A contradição não passou despercebida.
Enquanto isso, a maior fatia do orçamento — cerca de R$ 924 milhões — foi usada para promover campanhas institucionais com slogans e programas governamentais. Já áreas consideradas essenciais, como campanhas de saúde pública e vacinação, ficaram com um valor significativamente menor.
A situação gera um contraste difícil de ignorar. De um lado, um discurso que critica e ameaça regulação das big techs. Do outro, um fluxo milionário de recursos públicos sendo direcionado exatamente para essas empresas.
A ironia, para muitos críticos, é evidente.
Outro ponto que alimenta o debate é a seletividade. Algumas plataformas foram privilegiadas, enquanto outras ficaram de fora — o que levanta questionamentos sobre critérios e possíveis motivações políticas por trás das escolhas.
Em um país onde áreas como saúde, educação e segurança frequentemente enfrentam limitações orçamentárias, o aumento expressivo de gastos com propaganda acaba gerando indignação. Para parte da população, a impressão é de que a prioridade está mais na construção de imagem do que na solução de problemas concretos.
No fim das contas, o episódio escancara uma discussão maior: até que ponto o uso de recursos públicos está alinhado com as reais necessidades da população?
Porque, quando o investimento cresce, mas a percepção de melhora não acompanha, o questionamento deixa de ser apenas político — e passa a ser inevitável.