
Gilmar Mendes critica condução do caso Banco Master por Fux na Segunda Turma do STF
Subtítulo: Divergência entre ministros expõe disputa sobre a condução do processo envolvendo o Banco Master. As críticas de Gilmar Mendes ao ministro Luiz Fux colocam em evidência questões sobre competência, procedimentos e transparência no Supremo Tribunal Federal.
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a condução do caso Banco Master pelo ministro Luiz Fux, presidente da Segunda Turma da Corte. Em ofício encaminhado a Fux, Mendes questionou a convocação e a realização de uma sessão extraordinária que analisou a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Segundo Gilmar, a sessão foi convocada com pouca antecedência e sem comunicação adequada aos demais integrantes da Turma. O magistrado afirmou que seu gabinete teve apenas 22 minutos para examinar o caso, prazo que considerou insuficiente diante da relevância institucional da decisão. Na avaliação apresentada por Mendes, a condução do julgamento comprometeu a colegialidade, a lealdade institucional e a necessária equidistância de quem preside os trabalhos.
O episódio envolve uma sequência de decisões e divergências dentro do STF. André Mendonça havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues, em meio a questionamentos relacionados à atuação da Polícia Federal no caso Master. A decisão foi submetida à Segunda Turma, e Fux conduziu a sessão extraordinária em que os ministros apreciaram a medida. Gilmar contestou a forma como o julgamento foi organizado e apontou possível combinação prévia entre Fux e Mendonça — uma alegação atribuída ao ministro, que não deve ser tratada como irregularidade comprovada.
A crítica de Gilmar também recaiu sobre a rapidez com que Fux e o ministro Kassio Nunes Marques apresentaram seus votos. Para o decano, uma decisão com impacto sobre a direção da Polícia Federal e sobre a condução de investigações de grande repercussão exigiria tempo adequado para análise e debate entre os integrantes do colegiado.
No centro da controvérsia está o caso Banco Master, relacionado ao ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e a apurações que vêm provocando embates entre autoridades e ministros do Supremo. As divergências sobre a condução das investigações, o acesso a informações e os procedimentos adotados ampliaram a tensão interna na Corte.
A manifestação de Gilmar Mendes representa uma crítica direta à atuação de Luiz Fux na presidência da Segunda Turma. O questionamento não se limita ao conteúdo da decisão, mas alcança o procedimento utilizado para convocar a sessão e permitir que os ministros examinassem o caso. Fux, por sua vez, conduziu os trabalhos no âmbito de suas atribuições como presidente da Turma; a controvérsia está justamente em saber se a convocação e o tempo concedido respeitaram as exigências institucionais apontadas por Mendes.
O embate expõe uma questão relevante para o funcionamento do Supremo: decisões de grande impacto precisam ser tomadas com observância das regras processuais, oportunidade real de análise pelos julgadores e transparência quanto aos procedimentos adotados. As críticas de Gilmar levantam dúvidas sobre esses pontos, enquanto a avaliação definitiva de eventual falha depende das regras aplicáveis e dos esclarecimentos dos envolvidos.
A disputa entre os ministros ocorre em um momento de forte pressão pública sobre o STF. O caso Master tornou-se um foco de questionamentos sobre relações institucionais, condução de investigações e responsabilidade das autoridades. Nesse cenário, a troca de acusações e as divergências procedimentais entre integrantes da Corte reforçam a cobrança por explicações claras e decisões fundamentadas.