
Gilmar Mendes critica voto de Fux que beneficiou Bolsonaro
Ministro do STF aponta incoerências e rejeita ideia de anistia para ex-presidente
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente o voto do colega Luiz Fux, que absolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) dos crimes relacionados à tentativa de golpe. As declarações foram feitas nesta segunda-feira (15), em São Paulo, durante a inauguração de um instituto de ensino do qual Mendes é sócio.
Segundo o decano, o voto de Fux é cheio de contradições:
“Se não houve golpe, não deveria ter havido condenação. Condenar apenas alguns e deixar outros de fora parece incoerente”, afirmou Mendes, destacando que não vê como o projeto de Fux fortalece uma eventual anistia.
Gilmar disse ainda que, se fizesse parte da Primeira Turma do STF, teria seguido o voto de Alexandre de Moraes sem dúvidas, e classificou qualquer tentativa de anistia como ilegítima e inconstitucional.
O ministro também comentou sobre falas do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no 7 de Setembro, ironizando a ideia de tirania no país:
“Quem assume uma posição tirânica no STF?”
Sobre sanções aplicadas pelos Estados Unidos, Mendes considerou as medidas incabíveis e afirmou que elas não impactam a vida institucional do Brasil.
As críticas de Gilmar ocorrem após o julgamento que condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, por crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição violenta da democracia, organização criminosa armada e dano ao patrimônio público. O voto de Fux abriu espaço para questionamentos sobre nulidades processuais e alinhou-se a argumentos da defesa do ex-presidente, provocando desagrado em Mendes.