Gleisi critica alta dos juros, mas evita mencionar aliado de Lula no comando do BC

Gleisi critica alta dos juros, mas evita mencionar aliado de Lula no comando do BC

Ministra do Planalto ataca decisão do Copom de elevar a Selic para 15% ao ano, mas silencia sobre Gabriel Galípolo, indicado por Lula e responsável por liderar o Banco Central na atual gestão.

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, usou as redes sociais nesta quinta-feira (19) para protestar contra a nova elevação da taxa Selic, que subiu de 14,75% para 15% ao ano — maior patamar em quase duas décadas. No entanto, chamou a atenção o fato de Gleisi não mencionar o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nomeado pelo próprio presidente Lula (PT).

A crítica de Gleisi veio após decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), que justificou o aumento como resposta à inflação ainda resistente, à força da atividade econômica e ao aquecimento do mercado de trabalho. Ainda assim, a ministra considera o movimento “incompreensível”.

“Num cenário em que a inflação está desacelerando, o país zerou o déficit primário, a economia cresce e os investimentos internacionais mostram confiança no Brasil, é difícil entender por que o Copom opta por subir ainda mais os juros”, escreveu ela, sem citar Galípolo. “O Brasil espera que este seja o fim do ciclo de juros estratosféricos.”

Durante a gestão de Roberto Campos Neto — indicado por Jair Bolsonaro — Gleisi costumava ser incisiva nas críticas, referindo-se frequentemente ao “BC de Campos Neto”. Agora, com o comando da instituição nas mãos de alguém escolhido por Lula, o silêncio sobre o nome do presidente do BC provocou reações da oposição e expôs um certo constrangimento no governo.

Lula, por sua vez, não se pronunciou sobre a decisão até a manhã desta quinta-feira. O Banco Central, por sua vez, afirmou que ainda vê riscos inflacionários relevantes e que pode voltar a subir os juros caso as pressões persistam.

O mercado reagiu com cautela, enquanto integrantes da base governista ficaram em situação delicada, tentando conciliar a crítica à política monetária com a responsabilidade agora compartilhada dentro da própria equipe econômica.

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