
Gleisi critica tarifa de Trump e esquece os 37 impostos do próprio governo
Ministra chama aumento de tarifa americana de “maior ataque” ao Brasil, enquanto o governo dela cria uma legião de impostos e culpa adversários políticos
No capítulo clássico da política “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, a ministra Gleisi Hoffmann saiu em defesa do governo Lula criticando com veemência o aumento da tarifa americana sobre produtos brasileiros — um imposto de 50% anunciado por Donald Trump, que ela classificou como o “maior ataque” já sofrido pelo país em tempos de paz. Para Gleisi, o responsável pelo “tarifaço” são o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que ela associou a “traidores” disfarçados de patriotas.
No entanto, o que Gleisi prefere não lembrar é que o próprio governo Lula, que ela integra, tem uma impressionante coleção de 37 novos impostos e taxas criados desde 2023, aumentando o peso sobre empresas e consumidores brasileiros. Ou seja, o Brasil está mais tarifado por dentro do que por fora, e a cobrança interna segue firme e forte — com um governo que tem verdadeira paixão por aumentar a arrecadação tributária.
Enquanto isso, a ministra brada nas redes sociais contra a “chantagem” do presidente americano, acusando Bolsonaro e seus aliados de se aproveitarem politicamente do momento para enfraquecer a democracia. Ela disse ainda que é hora de “separar patriotas de traidores” — frase bonita para colocar no discurso, mas que não explica por que seu próprio governo coleciona recordes de impostos, descontentamento e desgaste econômico.
O governador Tarcísio, não satisfeito, rebateu dizendo que o “tarifaço” é fruto da condução errada da política econômica de Lula, que teria priorizado ideologias e alianças internacionais em vez de negociar uma saída diplomática para evitar esse tipo de crise.
O cenário ficou ainda mais surreal com Lula e Gleisi apontando o dedo para Bolsonaro e Tarcísio, enquanto no Planalto eles mesmos já impuseram mais tarifas internas, uma verdadeira “tabela do desespero” para o cidadão comum e o empresário brasileiro. A ironia é que a ministra critica a tarifa americana, mas vive sob um governo que criou 29 impostos novos — praticamente um festival tributário, e ninguém fala em “golpe” ou “ataque” quando a fonte é doméstica.
Enquanto isso, a política brasileira segue seu samba: críticas ao adversário e hipocrisia no pacote. Afinal, é sempre mais fácil acusar o “outro” do que olhar no espelho e encarar o imposto que dói no bolso do seu próprio eleitor.